Mostrando postagens com marcador Revista Catolicismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Revista Catolicismo. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Eleições francesas: “vitória pudim”, futuro ameaçador

A vitória inconsistente do socialismo soou como o início de uma corrida louca das esquerdas para caotizar a Europa e só foi possível graças ao “Sarkocídio”.
Marcelo Dufaur
No dia 6 de abril último, François Hollande, candidato presidencial do Partido Socialista Francês (PS), compareceu diante da multidão que comemorava sua vitória na histórica Praça da Bastilha. Contudo, a conhecida revista alemã “Der Spiegel”1 comentou que, diante daquela praça cheia, o vencedor sentiu um calafrio e um desabamento psicológico.
O normal seria que estivessem ali os continuadores dos sanguinários sans-culotte que incendiaram a França do Ancien Régime, guilhotinaram o rei Luis XVI e fecharam as igrejas — os verdadeiros socialistas inimigos da desigualdade — da família e da propriedade. Mas não foi assim. Quais eram as bandeiras que a multidão agitava? As de países islâmicos, de movimentos homossexuais, da União Europeia, do Partido Comunista Francês, uma ou outra bandeira nacional, e poucas, muito poucas, do próprio PS (fotos abaixo). A escassa visibilidade destas últimas talvez se deva ao fato de a campanha socialista ter trocado sua histórica cor vermelha por um branco pálido, ou a mistura de branco com azul-bebê.
Durante sua campanha, Hollande quis assemelhar-se a seu predecessor socialista François Mitterrand: assumiu seus gestos e poses, tentou imitar sua voz. Mas naquele momento a coragem lhe faltou.
“Vitória pudim”

Apelidado por alguns de Flanby  — em alusão a um pudim industrial da Nestlé, de fraca consistência e pouco sabor  —, Hollande presidiu à comemoração de uma “vitória pudim”, tão consistente quanto a imagem que ele tentou passar de si para obter a benevolência do eleitorado.
“Monsieur Normal” — outro apelativo que lhe foi dado — tem experiência política suficiente para medir a falta de conteúdo de sua vitória. Ele não venceu porque suas ideias, propostas ou preferências conquistaram os franceses; a causa de sua vitória foi uma só: aquilo que um jornalista chileno sintetizou numa palavra: Sarkocídio!2
O Partido Socialista não só não progrediu numericamente, mas diluiu seu pensamento e seus objetivos aparentes, a ponto de causar entre as esquerdas mundiais o pânico de Hollande vir a ser “o derradeiro coveiro dos partidos socialistas e social-democratas europeus”.3
A maioria silenciosa da França continua sendo uma significativa maioria e talvez mais arredia às propostas revolucionárias do que nunca. Uma das provas mais comentadas disso foi o crescimento histórico da chamada “extrema direita”, o Front National, bem como a recuperação de votos de Sarkozy na reta final da campanha, agitando — sinceramente ou não — teses ou slogans do Front National.

A direita majoritária praticou harakiri
"Monsieur Normal": François Hollande, novo presidente francês

Os números não foram tranquilizadores para o Flanby, pois, no cômputo final, apenas 39% do eleitorado votaram nele. E não só sua vitória foi obtida com uma margem de votos considerada pequena (1.131 milhão) como 2.147 milhões de eleitores  — na sua maioria de direita, descontentes com as promessas não cumpridas do presidente derrotado  — votaram em branco, quase o dobro da margem da vitória. Embora na França o voto não seja obrigatório, esses direitistas quiseram ir votar em sinal de protesto. Ouvi essa conversa no domingo da votação:“Como teremos de escolher entre dois demônios, votaremos em branco para fazer sentir nossa revolta diante da falta de opção”.
Se eles tivessem sido mais esclarecidos, votando contra a esquerda e deixando o protesto para depois, Hollande teria perdido — cúmulo da vergonha! — para o antipatizado Nicolas Sarkozy! Estatisticamente, se o eleitorado de direita que no primeiro turno não votou em Sarkozy o tivesse feito na mesma proporção que o eleitorado de extrema-esquerda que votou por Hollande, o candidato da direita teria sido reeleito. Neste sentido, o mais certo não é dizer que a esquerda ganhou, mas que, embora majoritária e em progressão, a direita praticou harakiri. E o candidato “pudim” se tornou presidente!
Compreende-se que diante da tendência à direita da opinião francesa, Hollande tenha escolhido a imagem do “pudim” e substituído o vermelho pelo branco e azul-bebê.
Dilema de Hollande
Mas a imensa revolução que os ideólogos socialistas e o próprio Hollande acalentam não se faz com “pudim” e azul-bebê. É fácil, simpático e rentável falar mal da austeridade, prometer menos horas de trabalho, aposentadoria mais cedo, salários mais altos, bolsas para tudo e qualquer coisa. Era o que a multidão de lata de cerveja na mão, na Praça da Bastilha, queria ouvir e ovacionava. Mas essa multidão já não era mais a dos transloucados sans-culotte, dispostos a passar penúria ou dar a vida pela Liberté-Égalité-Fraternité que aquela mesma praça relembra!
O novo presidente socialista declarou: “Meu verdadeiro inimigo é o mundo das finanças”. A crise financeira que devasta Europa deixou os bancos na dependência de auxílios dos governos ou organismos internacionais. A frágil situação deles pode propiciar nacionalizações como François Mitterrand tentou na década de 1980. Hollande vai ser muito aplaudido pelas esquerdas no primeiro dia. Mas, em pouco tempo, poderá ser mais vituperado que seu mestre e obrigado a reprivatizar urgentemente o que nacionalizou num ato de euforia socialista utópica.
Se o novo presidente cumprir suas sedutoras e utópicas promessas, levará a já muito fragilizada economia francesa à degringolada, tendo então que pedir fortes sacrifícios a seus seguidores, que não querem saber disso. Se não as cumprir, o PS, último reduto partidário viável das esquerdas, afundará. Em qualquer caso, uma das consequências já anunciada é que seu fracasso engrossará cada vez mais as hoje extensas fileiras da “extrema direita”.
Revolução Cultural: via régia para Hollande
Os governos europeus foram delegando atribuições cada vez maiores à União Europeia, tornando com isso estreita a margem de manobra de Hollande. Entretanto, valendo-se do prestígio que todo presidente francês tem — curioso eco na França republicana do prestígio real na França monárquica — ele poderá imiscuir-se em praticamente todos os assuntos de governo.
No governo, o Partido Socialista tentará certamente aprovar o “casamento” homossexual, indo além da atual união civil, atacar o ensino privado — que revela ter boa saúde dentro das brutais limitações impostas por governos anteriores — e acentuar a ofensiva pela eutanasia.
Quando isso se der, será indispensável uma articulação sensata das direitas francesas para conter a ofensiva socialista. Portanto, o oposto da política Sarkocídio. Terão as direitas francesas, tão diversificadas e divididas, suficiente largueza de vistas para se coligarem contra o inimigo comum?
Esquerdas europeias relançam a ofensiva
A fraqueza da “vitória pudim” de Hollande não foi devidamente focalizada pela mídia internacional. O viés informativo da grande mídia funcionou como a batuta de maestro que dá inicio a uma partitura endiabrada.
Assim, animados pelo “sucesso” francês, os “indignados” espanhóis voltaram à Porta do Sol e a outras praças da Espanha. Desconhecidos terroristas italianos lançaram coqueteis molotov contra prédios do governo, considerados por eles como emblemas odiosos da austeridade. A chanceler Angela Merkel, símbolo da política de reerguer as economias, perdeu em recentes eleições o controle da mais importante região alemã, vendo entrar em Parlamento estadual até o anárquico Partido Pirata.
A ingovernabilidade da Grécia aproxima a hora em que ela será forçada pelos demais países da eurozona a abandonar o euro. Se tal saída for feita de modo ordenado, poderá ser benéfica a longo prazo, mas terá, de imediato, consequências duríssimas para os gregos. Ademais, se a desconfiança prevalecer nos mercados, a notória ausência de solidariedade na eurozona poderá provocar um pânico bancário ou pelo menos uma emigração massiva dos depósitos nos bancos dos países fragilizados do sul para bancos de países do norte, considerados mais seguros. O que semearia o caos financeiro em toda a Europa, a começar por Portugal, Espanha e Itália, cujas economias já deram estalos relacionados com o montante de suas dívidas, o aumento inexorável do desemprego e o estancamento da atividade econômica.
A vitória de Hollande parece ter dado a largada de uma corrida louca das esquerdas para abalar o que resta de ordem na Europa. Não terá sido a primeira vez que um fato pobre de conteúdo, mas apresentado de modo tendencioso pela imprensa, gera uma tempestade de consequências imprevisíveis.


Fonte :Revista Catolicismo

Satanismo social

Por que Nossa Senhora Chora?
Satanismo social


“Quando um espírito imundo sai do homem, anda por lugares áridos, buscando repouso; não o achando, diz: Voltarei à minha casa, donde saí. Chegando, acha-a varrida e adornada. Vai então e toma consigo outros sete espíritos piores do que ele, e entram e estabelecem-se ali. E a última condição desse homem vem a ser pior do que a primeira” (Lc 11, 24-26).
Tal é a advertência que Nosso Senhor nos faz no Evangelho, para que estejamos prevenidos contra o demônio que volta. Vale ela também para a esfera social? Ou seja, todo um país ou toda uma área de civilização, da qual o demônio foi previamente exorcizado, pode estar sujeita a um retorno de Satanás e seus asseclas, criando uma infestação ainda pior do que a primeira?
Plinio Corrêa de Oliveira acreditava que sim. Explica ele que a cristianização do Ocidente teve seu apogeu na Idade Média, com a conseqüente eliminação (como fenômeno social) das religiões e práticas satanistas do mundo pagão. Porém, a partir do século XIV, iniciou-se um processo de decadência — a Revolução — que, tendo por etapas o Renascimento, a pseudo-reforma protestante, a Revolução Francesa e o comunismo, tende a um estado de coisas cada vez mais distante dos princípios católicos; e visa, em última análise, à aceitação do satanismo. É o demônio que volta de modo ainda mais terrível, porque trazido no carro da apostasia do Ocidente.
O acerto dessa previsão vem sendo largamente comprovado por numerosos fatos de alcance social no mundo contemporâneo: incursões do rock satânico, multiplicação das blasfêmias e sacrilégios, aumento de cultos diabólicos ou suspeitos de tal, proteção concedida a ritos mágicos provenientes da África ou indígenas, uso crescente de drogas, processos de autodemolição da Igreja e da sociedade civil, etc.
Serve ainda como caldo de cultura para a proliferação do satanismo a enorme infelicidade que os resultados do processo revolucionário trouxeram para os homens, em lugar da prometida felicidade.
Nesse contexto, adquire especial relevância a entrevista concedida à Agência Zenit em 1º-3-09 pelo presidente da Associação Italiana de Psicólogos e Psiquiatras Católicos, Dr. Tonino Cantelmi, da qual extraímos o que segue.
*       *       *
Dr. Tonino Cantelmi
“Nos dias de hoje, entre as diversas formas de desvio juvenil, assistimos à expansão do fenômeno do satanismo cultural, cada vez mais preocupante, com a cumplicidade da fácil disponibilidade de conteúdos esotéricos na internet e a falta de valores fortes na família.
“Segundo nossos cálculos, na Itália há cerca de cinco mil pessoas que são afetadas diretamente por um tema satânico, mas estamos assistindo a um satanismo cultural e ao desenvolvimento de um satanismo ateu, no qual Satanás é a ocasião para um ulterior encobrimento, é uma evolução.

 
“Se até pouco tempo atrás o satanismo se escondia por trás das sombras das cidades ou nos povoados, hoje, em rede, ele adquiriu pleno direito de cidadania: converteu-se em um produto de consumo.
“Na amostragem examinada, 76% dos casos se interessam por magia, cartomancia, ritualismo, iniciação, esoterismo, enquanto o contato com material satânico é facílimo em 78% dos casos, sobretudo através da música, cinema, livros e internet.
“Mais da metade dos jovens confessa que tem curiosidade pelo satanismo; 1 de cada 3 jovens declara sentir-se atraído; 10% dizem que, se Satanás lhes assegurasse a felicidade, não teriam dificuldade em segui-lo, sinal este de infelicidade e do sofrimento que há no mundo atual”(http://www.zenit.org/article-20941?l=portuguese).
Por isso tudo, Nossa Senhora chora! E só uma intervenção divina, como a profetizada por Ela em Fátima, pode pôr fim à crescente satanização da sociedade. Peçamos, pois, ardentemente essa intervenção.

Revista Catolicismo

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

A 103 ANOS NASCIA DR. PLINIO CORRÊA DE OLIVEIRA !



O CRUZADO DO SÉC. XX

MINHA SINGELA HOMENAGEM AO FUNDADOR DA TFP. GRANDE LÍDER E PENSADOR CATÓLICO. OBRIGADO NOSSA SENHORA, OBRIGADO SANTÍSSIMA TRINDADE QUE SOIS UM SÓ DEUS, PELOS DONS E GRAÇAS QUE FORAM DERRAMADOS NA VIDA DO SR. DR. PLINIO, E PELAS GRAÇAS QUE SUA OBRA TEM ALCANÇADO O IPCO, E AS TFPS AO REDOR DO MUNDO, E AS QUE TEMOS ALCANÇADO TAMBÉM!"

"O sorriso dos céticos jamais interrompeu a marcha daqueles que têm Fé"
Plínio Corrêa de Oliveira

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Mais uma aparição de Nossa Senhora aprovada pela Igreja


Por decreto de Mons. Ricken, bispo de Green Bay (EUA), são consideradas dignas de crédito as aparições da Santíssima Virgem à irmã Adele Brise em 1859

Soror Adele Brise

Valdis Grinsteins
Muitos identificam os Estados Unidos com a tecnologia mais avançada do planeta. Palavras como internet, fax, raio laser, foguetes espaciais ou aviões invisíveis são normalmente relacionadas com aquele imenso país. Tudo quanto indique velocidade, rapidez, automatização, transmissão instantânea costuma estar associado à nação norte-americana. E foi justamente lá, onde a velocidade pareceria não ter limites, que em 8 de dezembro de 2010 se reconheceu como autêntica a primeira aparição mariana nos Estados Unidos... 151 anos depois do acontecimento.
Não será contraditório com o caráter da Igreja a morosidade dessa aprovação? Não é estranho que, logo no país onde tudo se faz rapidamente, a Igreja leve tanto tempo para determinar se foi autêntica ou não uma aparição? Não seria melhor não se pronunciar, devido ao risco de adversários da Igreja a qualificarem de arcaica, instituição de outros tempos, incapaz de se adaptar às velocidades contemporâneas?
Para horror dos adoradores da velocidade, podemos afirmar que a Igreja não tem pressa, porque ela possui a eternidade. E se todas as outras instituições morrem nesta Terra, a Santa Igreja continua no Céu. A um governo que dura cinco anos, ou a um homem que vive 80, cabe muito bem apressar-se em fazer o que deve. Mas a Igreja, com sua sabedoria de 2.000 anos, entende que cada obra tem seu tempo ideal para ser realizada, ou que chegou o momento de aprovar esta ou aquela aparição, trazendo à tona temas muito necessários aos dias atuais.
Voltas que dá uma vocação
Quando jovem, Adele Brise viveu na Bélgica, origem de sua família. Pertenceu a um grupo de fervorosas amigas, que tinham feito promessa de se tornarem religiosas. Mas em meados do século XIX seus pais decidiram emigrar da Bélgica rumo aos Estados Unidos, um país novo e meio desconhecido. Pior ainda, não iriam para uma cidade ou região já civilizada, mas se estabeleceriam no Wisconsin, então um local na fronteira entre a civilização e o desconhecido. Nem indícios de conventos havia por lá. Enquanto as amigas cumpriam a promessa, aos 24 anos ela obedeceu aos pais e partiu com seus familiares para o outro lado do mundo. Na região os imigrantes tendiam a ficar em fazendas muito distantes entre si; e devido à falta de igrejas, capelas ou escolas, iam perdendo a fé por falta de práticas religiosas.
Em outubro de 1859, Adele ia ao moinho levando um saco de grãos na cabeça, quando viu entre duas árvores uma Senhora vestida de branco. Assustada, não se moveu. A Senhora nada disse, e lentamente desapareceu, deixando uma nuvem branca no local. Adele terminou sua tarefa e retornou para casa, onde comentou com os pais o sucedido. Estes julgaram que talvez se tratasse de uma alma do Purgatório que necessitava de orações.
No domingo seguinte ela saiu para ir à missa, acompanhada de sua irmã e uma vizinha. A igreja ficava a 17 quilômetros de distância, e para lá chegar era necessário passar pelo mesmo local da aparição. Novamente Adele viu a Senhora de branco. Suas companheiras nada viram, mas ficaram impressionadas com o temor que notavam em Adele. Depois de algum tempo ela disse que a Senhora tinha desaparecido. Conversando sobre o assunto, concluíram novamente que seria uma alma do Purgatório.
Conselho do confessor
Soror Adele (círculo) com seus alunos

Após a missa, Adele se confessou com o Pe. Verhoef e narrou-lhe os dois episódios. O sacerdote disse-lhe para não ter medo, e que perguntasse à Senhora de branco o que desejava; se fosse uma mensageira de Deus, não lhe faria qualquer dano. No caminho de volta, no mesmo local, Adele viu novamente a Senhora, e desta vez notou que tinha uma fita amarela na cintura. Seguindo as indicações do confessor, perguntou: “Em nome de Deus, quem sois e o que desejais?”. E a Senhora lhe respondeu: “Sou a Rainha do Céu, que reza pela conversão dos pecadores, e desejo que faças o mesmo. Recebeste a Sagrada Comunhão hoje de manhã, e isso é bom. Mas tens que fazer mais ainda. Deves fazer uma confissão geral e oferecer a comunhão pela conversão dos pecadores. Se eles não se converterem e não fizerem penitência, meu Filho será obrigado a puni-los”.
Nesse momento as duas companheiras perguntaram a Adele com quem ela falava, pois não viam nada. Ela simplesmente lhes disse: “Ajoelhem-se, pois Ela diz ser a Rainha do Céu”. E as duas companheiras assim fizeram obedientemente, o que alegrou a Santíssima Virgem, pois disse: “Bem-aventurados os que acreditam sem ver”. E voltando-se para Adele, acrescentou: “Que fazes aqui parada, enquanto tuas companheiras trabalham na vinha de meu Filho?”. Era uma alusão direta ao fato de suas companheiras belgas terem cumprido a promessa de se tornarem religiosas, mas ela ainda permanecia como leiga. Ouvindo a reprovação de Nossa Senhora, ela se comoveu e perguntou:
— O que mais posso fazer, querida Senhora?
— Reúne as crianças deste país e mostra-lhes o que deveriam saber para se salvarem.
— Mas como lhes ensinarei, se eu mesma sei tão pouco?
— Ensina-lhes o catecismo, como fazer o sinal da cruz e como se aproximarem dos sacramentos; isso é o que desejo que faças. Vai e não tenhas medo. Eu te ajudarei.
Após este breve diálogo a Senhora levantou as mãos, como implorando uma bênção sobre aquelas que estavam a seus pés, e desapareceu lentamente.
Estimulada pela aparição, Adele começou a reunir as crianças e ensinar-lhes os princípios da fé católica. Em meio a numerosas provações, conseguiu construir uma escola para a finalidade, assim como congregou outras jovens para ajudá-la. Realizou também muitas peregrinações apostólicas para conclamar os pecadores à conversão. Nessa missão, ela chegava a caminhar mais de 80 quilômetros no meio de florestas, passando por todo tipo de perigos.
Finalmente em 1896, com a idade de 66 anos, Adele faleceu no cumprimento de sua vocação e foi enterrada na capela construída no local das aparições.
Relembrar verdades eternas
Voltamos aqui à questão de estarmos num momento adequado para se aprovar essas aparições e chamar a atenção sobre verdades elementares, que o progressismo e a atual decadência moral desejariam ver silenciadas.
No fundo, o que recomendou a Santíssima Virgem? O mesmo que a Igreja sempre ensinou: Que Deus deseja a conversão dos pecadores; que devemos trabalhar por isto; que devemos rezar e oferecer comunhões e sacrifícios nestas intenções; que se eles não se converterem, serão punidos; e que, se nos esforçarmos e perdermos o medo de atuar, conseguiremos muitíssimo em favor de nossos irmãos, com a confiança de que sempre Nossa Senhora nos ajudará.
Numa época em que as pessoas se esquecem da salvação da própria alma e vivem em função do dinheiro e dos prazeres, temos o dever de lembrar a todos que o verdadeiramente importante é a vida eterna, e que os sacramentos nos são indispensáveis para lá chegarmos. Pode haver melhor momento para alertar as almas sobre isso? Relembrando a propósito do reconhecimento dessa aparição o que nos dias de hoje é tão esquecido, mas que Ela sempre ensinou, a Igreja continua a exercer majestosamente sua obra providencial.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

O caráter militante do católico: prova de sua autenticidade


Diante dos erros que no início dos anos 30 começavam a minar os ambientes católicos, Plinio Corrêa de Oliveira passou a orientar a opinião católica no sentido de ressaltar o caráter militante da Igreja como condição necessária para o exercício do verdadeiro apostolado
Juan Gonzalo Larrain Campbell
O reitor da grande mesquita de Paris, Si Hamza Boubakeur, tido como “moderado”, afirmou: “Após ter durante séculos exagerado, tornado pesado e deformado o culto verdadeiro devido a Deus, os cristãos se mostram agora entusiasmados iconoclastas. [...] Seus altares estão mais ‘limpos’, mais simples, e as paredes das igrejas ficaram livres das imagens”. Em consequência dessas transformações ele diz sentir-se animado a um diálogo, porque a “Igreja cede cada vez mais, pensando erroneamente que se pode de modo impune e por razões efêmeras, ceder em detalhes sem ‘violar’ as leis eternas de Deus. Em verdade, alguns daqueles que a Igreja chamava outrora ‘soldados de Deus’, tornaram-se desertores [...]. Pois bem, nós muçulmanos não pretendemos ceder em nada em matéria de dogma e de práticas religiosas”.1

A catedral de Tóquio é um triste exemplo do que afirmava o lider muçulmano de Paris Si Hamza Boubakeur (à dir. na foto): “os cristãos se mostram agora entusiasmados iconoclastas. [...] Seus altares estão mais ‘limpos’, mais simples, e as paredes das igrejas ficaram livres das imagens”. Em consequência dessas transformações ele diz sentir-se animado a um diálogo, pois os cristãos estão prontos a “ceder em detalhes sem ‘violar’ as leis eternas de Deus”

Por sua vez, um “teólogo” muçulmano declarou: “Se os ‘vossos’ [os ocidentais] e vós tendes respeito pelo nosso modo de pensar e por nossa religião, é porque ela vos domina, e porque vós careceis de confiança na vossa. [...] Pois bem, para nós não pode existir neste terreno nenhuma ambigüidade. [...] Quando duas religiões se enfrentam, não é para se compararem e trocarem saudações, senão para combaterem-se uma à outra. É por isto que jamais ouvireis dizer que nós respeitamos vossa religião. [...] De vossa parte, esse respeito a nossa religião parece uma abdicação: Vós renunciais a impor-nos a vossa fé, mas nós jamais renunciaremos a expandir o Islã”.2
Frases insolentes? Sem dúvida. Falsas? Infelizmente, não.
Ante nossos olhos está patente — e devidamente documentada na edição de Catolicismo de agosto de 1994 — a verdadeira invasão da Europa por mais de 20 milhões de muçulmanos; invasão que de lá para cá não tem feito senão crescer.
A pergunta que salta aos olhos é: como se chegou a isto? Qual a gênese desta dramática deserção do mundo católico? É o que passamos a responder no limitado espaço deste artigo.

A Igreja Militante e Triunfante (detalhe) – Andrea di Bonaiuto, séc. XIV. “Capela Espanhola”, Santa Maria Novella, Florença, Itália.

Até a década de 30, a atitude da Igreja – isto é, do conjunto de sua Hierarquia encabeçada pelo Santo Padre e da totalidade de seus ensinamentos – era de militância face aos revolucionários.3 Entre estes se destacavam o comunismo com todos os seus matizes, e a heresia modernista, condenada pelo Papa São Pio X em 1907 e renascida das cinzas com o nome de progressismo.
A posição militante dos católicos constituía um dos maiores obstáculos à Revolução gnóstica e igualitária em seu desígnio de conquistar o maior número de adeptos.
Para a remoção de tal obstáculo importava modificar a mentalidade dos católicos, para que abandonassem essa posição de integridade e fossem apertar a mão convidativa à colaboração que traiçoeiramente os revolucionários lhes estendiam.
E um dos pontos mais sensíveis para essa modificação consistia em ir eliminando muito sutilmente da consciência dos católicos a noção do caráter militante da Igreja e de seus membros.
Percebendo essa manobra revolucionária desde o seu nascedouro, na remota década de 1930, o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira insistiu incontáveis vezes nas páginas do Legionário sobre o caráter militante de que deve se revestir todo verdadeiro filho da Igreja.
Passaremos a ilustrar, com alguns de seus muitos textos, um aspecto essencial da missão verdadeiramente profética do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira4: a de orientar, como leigo, a opinião católica para evitar que esta se desviasse do caminho que a Igreja tinha seguido até então nessa matéria.
Ser cristão não é só ser um crente, é ser soldado
Já quando se iniciavam os preparativos para a formação da Constituinte de 1933, Dr. Plinio traçava o plano de luta que os católicos deviam seguir, defendendo assim o caráter militante da Igreja contra a moleza insidiosamente soprada em certos círculos pré-progressistas:
“Ser cristão não é só ser um crente, é ser também um soldado. É saber descer à arena da luta de opiniões, ostentando com firmeza nossos princípios. É não ter medo de adquirir inimizades, se for necessário. É não ter medo de atrair sobre si antipatias. É, em suma, sacrificar-se”.5
Preservar os filhos da luz das infiltrações do erro
A avalanche de informações falsas dos acontecimentos mundiais despejada pela mídia sobre a opinião católica produzia nesta uma noção viciada dos problemas contemporâneos. Ante esse fenômeno morboso o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira definia em 1935 a missão do “Legionário”, que não era senão a assumida por ele mesmo durante toda a vida:
“No entanto, é necessário que não percamos de vista que a principal finalidade do ‘O Legionário’ é de orientar a opinião dos que já são católicos. E estamos certos de que, realizando esta obra, ela preencherá uma verdadeira lacuna. Realmente, a falta de instrução religiosa em nosso povo é imensa. E como conseqüência, muita gente há que, recebendo as informações sobre o que se passa no mundo inteiro através dos jornais diários, adquire uma noção inteiramente viciada de todos os grandes problemas contemporâneos. Assim, a maioria dos católicos ingere sem antídotos todos os venenos que lhe são ministrados pela imprensa quotidiana”.
E prosseguia, alertando os católicos sobre a necessidade da energia apostólica contra o mal, provando que esta não fere a caridade: “Ora, se é certo que é com mel que se caçam moscas, é com cercas de arame farpado que se devem cercar os campos onde não se quer que penetre o lobo devorador.
“Não quer isto dizer que devamos infringir os gravíssimos deveres que nos são impostos pela caridade. Há uma certa forma de ser caridoso e severo, que nos faz alvejar o erro ou o vício, sem atingir quem erra ou quem peca, ou melhor, levando ao pecador o mais ardente de nosso afeto fraternal, o mais delicado de nosso carinho em Cristo”.6
Erram os que condenam as manifestações vigorosas da fé
Comentário de Dr. Plinio sobre a destemida atuação do Beato Pio IX: “Erram os que condenam as manifestações vigorosas da fé, e que julgam imprudente e contraproducente qualquer gesto de energia e de vigor combativo, dos filhos da Luz contra os filhos das Trevas”

Um dos principais erros que se esgueiravam através do progressismo consistia na difusão implícita ou explícita da idéia de que era inoperante afirmar de modo vigoroso e destemido as verdades da fé e condenar energicamente os erros opostos à doutrina da Igreja. E que, em conseqüência, só era eficaz a tática das concessões e do sorriso permanente em relação aos infiéis.
O insigne líder católico sustentava o contrário dessa concepção errônea, servindo-se do exemplo de energia do Beato Pio IX ao decidir atuar no Concilio Vaticano I, apesar das oposições:
“Em primeiro lugar, todos os católicos militantes deram sua adesão incondicional. No seio do povo, as verdades definidas pela Igreja foram aceitas graças ao vigor com que a Igreja as promulgara. Até nos círculos intelectuais, o vigor com que agira o Papa lhe atraiu o respeito geral, e todo o mundo começou a respeitar e se interessar por uma Igreja dotada de tal vitalidade”.
E acrescentava: “Evidentemente, ninguém pode negar o alcance deste acontecimento histórico. Erram os que condenam as manifestações vigorosas da Fé, e que julgam imprudente e contraproducente qualquer gesto de energia e de vigor combativo, dos filhos da Luz contra os filhos das Trevas”.7
Apostolado: só na base a sorrisos e carícias?
Em artigo publicado uma semana depois, o destemido articulista atacava uma vez mais o erro contido na afirmação de que a tática do sorriso era a única solução válida no apostolado:
“Erram os que supõem ser o apostolado viável unicamente por meio de sorrisos e carícias. É certo, certíssimo, incontestável, que ele não pode ser feito a não ser com caridade. Mas que a caridade consiste em ostentar para gregos e troianos, filhos da luz e filhos das trevas, pecadores arrependidos como a Madalena ou impenitentes como os fariseus e os mercadores do Templo, o mesmo semblante perpetuamente desanuviado e inexpressivamente risonho, é errar gravemente. Errar, não apenas porque não é este o ensinamento da Santa Igreja, que armou contra os mouros as cruzadas, e instituiu contra os hereges o Santo Ofício romano e as fulminações das penas canônicas, mas ainda porque é colidir com os ensinamentos dos Santos Evangelhos que, se de um lado, nos mostram o Salvador afável e misericordioso para com os pecadores que queria atrair a Si, também O mostram inexorável e terrível para com os pecadores que se mantinham obstinados na impenitência”.8
Arrancar a máscara: primeira obra de apostolado
Defendendo os católicos contra os artifícios dos hereges, o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira sustenta que arrancar-lhes a máscara é a primeira obra de apostolado:
“Deste artifício dos hereges, temos um precioso ensinamento a tirar. Evidentemente, temem eles levantar a máscara, e atacar diretamente a Igreja. E a razão está em que eles estão bem persuadidos de que, se atacarem a Igreja, ninguém dentre os católicos deles se acercará.
“Assim, se não queremos que os católicos deles se acerquem, devemos evidentemente tomar a iniciativa de lhes arrancar a máscara, e, em todos os trabalhos que fizermos contra a heresia, tratar de declarar logo de início que se trata de erro incompatível com a doutrina da Igreja. [...]
“Assim, pois, arrancar a máscara é, para nós, a primeira obra de apostolado. Realmente, do que no Brasil se deve cuidar, não é de que a heresia seja um problema resolvido, mas de que ela não venha a se tornar problema.
“Nossa luta ainda é sobretudo preventiva. E, assim, sem prejuízo de utilização de outros meios de luta, o desmascaramento do adversário deve ser nossa principal preocupação”.9
A mania de condescender dilata os espaços da dúvida
Plinio Corrêa de Oliveira: “Não tratemos os lobos como ovelhas perdidas”

A relativização das verdades da doutrina católica é inerente aos católicos “pacifistas” opostos ao caráter militante da Igreja, que introduzem na mentalidade dos fiéis o espírito de dúvida. Este erro foi também denunciado por Dr. Plinio:
“Evidentemente, essa vacilação, em um verdadeiro católico, não se pode referir a certas verdades já irretorquivelmente definidas pela Igreja. Mas há um sem número de aplicações práticas de princípios, ou de deduções doutrinárias a respeito de princípios já definidos, em que essa fraqueza se manifesta. Em lugar de se procurar, na utilização doutrinária ou prática dos princípios a verdade, toda a verdade, e só a verdade, as reflexões feitas a este respeito se deixam imbuir mais ou menos pela preocupação de condescender com os erros do século. E, assim, em vez de procurar tirar do tesouro das verdades católicas todos os frutos de ordem intelectual e moral que contêm, procura-se saber mais o que pode ser rotulado como discutível e portanto como matéria livre, do que o que pode ser rotulado como verdadeiro, e portanto como matéria certa.
“Em outros termos, a mania invariável de condescender leva muita gente a procurar dilatar os espaços intelectuais reservados à dúvida. Em presença de uma afirmação deduzida da doutrina católica, a pergunta deveria ser esta: posso incorporar mais essa riqueza ao patrimônio de minhas convicções? Não, em geral é esta outra: que razões posso descobrir, para duvidar também disto?”10
Flagelar, denunciar e fulminar como Nosso Senhor
No artigo intitulado “Não tratemos aos lobos como ovelhas perdidas”, Dr. Plinio prossegue sua denúncia contra as tendências dialogantes que viam na doçura o único meio de apostolado. Assim, contra a deformação sentimental da figura de Nosso Senhor Jesus Cristo propalada nos meios da Ação Católica, escrevia ele:
“E compreendamos enfim que a imitação de Nosso Senhor Jesus Cristo por nós só será perfeita no dia em que soubermos, não apenas perdoar, consolar e afagar, mas ainda no dia em que soubermos flagelar, denunciar e fulminar como Nosso Senhor.
“Há muitos católicos que consideram os episódios do Evangelho em que aparece o santo furor do Messias contra a ignomínia e a perfídia dos fariseus como coisas indignas de imitação. É ao menos o que se depreende do modo como eles consideram o apostolado. Falam sempre em doçura e procuram sempre imitar essa virtude de Nosso Senhor. Que Deus os abençoe por isto. Mas, por que não procuram eles imitar as outras virtudes de Nosso Senhor?

Prof. Plinio Corrêa de Oliveira

“Muito frequentemente, quando se propõe em matéria de apostolado um ato de energia qualquer, a resposta invariável é de que é preciso proceder com muita brandura ‘a fim de não afastar ainda mais os transviados’. Poder-se-á sustentar que os atos de energia têm sempre o invariável efeito de ‘afastar ainda mais os transviados’? Poder-se-ia sustentar que Nosso Senhor, quando dirigiu aos fariseus suas invectivas candentes, fê-lo com a intenção de ‘afastar ainda mais aqueles transviados’? Ou porventura se deveria supor que Nosso Senhor não sabia, ou não se preocupava com o efeito ‘catastrófico’ que suas palavras causariam aos fariseus? Quem ousaria admitir tal blasfêmia contra a Sabedoria Encarnada, que foi Nosso Senhor?
“Deus nos livre de preconizar o uso de energia e dos processos violentos como único remédio para as almas. Deus nos livre também, entretanto, de proscrever estes remédios heróicos de nossos processos de apostolado. Há circunstâncias em que se deve ser suave e circunstâncias em que se deve ser santamente violento. Ser suave quando as circunstâncias exigem violência, ou ser violento quando as circunstâncias exigem suavidade, há nisto sempre um grave mal”.
No mesmo artigo, sempre mostrando os aspectos de Nosso Senhor ocultados em certos meios da Ação Católica, o articulista orientava os fiéis para que não se deixassem arrastar por esse espírito oposto à doutrina da Igreja:
“Nosso Senhor não nos fala somente em ovelhas perdidas que o Pastor vai buscar pacientemente no fundo dos abismos, ensangüentadas pelos espinhos em que lamentavelmente se feriram. Nosso Senhor nos fala também em lobos rapaces, que circundam constantemente o redil, à espreita de uma ocasião para nele se introduzirem disfarçados com peles de ovelhas. Ora, se é admirável o Pastor que sabe carregar aos ombros com ternura a ovelha perdida; o que dizer do Pastor que abandona suas ovelhas fiéis para ir buscar ao longe um lobo disfarçado em ovelha, que toma o lobo aos ombros amorosamente, abre ele próprio as portas do redil, e com suas mãos pastorais coloca entre as ovelhas o lobo voraz?”11
O catolicismo apresentado sem sacrílegas maquiagens
Combatendo as tendências e doutrinas daqueles que propugnavam a adaptação da Igreja ao mundo, Dr. Plinio insistia:
“Assim, a franqueza apostólica foi sempre uma regra fundamental de todo proselitismo católico. Excetuadas certas situações especialíssimas, o interesse da Igreja consiste em fazer com que seus arautos a proclamem sem desfiguramentos, sem diluições, sem covardes adaptações ao espírito da época.
“Se em todos os tempos esta foi a regra, hoje, mais do que nunca esta atitude se impõe. Ela já não constitui só um ato de elementar coerência com nossos princípios, mas medida de soberana sabedoria estratégica. Saibam-no todos os maníacos de ‘adaptações ao sabor da época’: vivemos em uma era de radicalismo, e a adaptação de nossos processos de propaganda à época consiste em mostrar o catolicismo em sua expressão mais radical, despido das sacrílegas maquillages com que muita gente gostaria de desfigurar a sua fisionomia.”12
Perdão e a misericórdia, sim; estupidez e cretinice, não
Santa Joana d’Arc, não fechou o Evangelho quando partiu em guerra para a libertação de sua Pátria, mas cumpriu um altíssimo dever evangélico quando o fez

Refutando um jornalista nazistóide que negava sutilmente o caráter militante do Evangelho, insinuando que este só ensinava o perdão e a misericórdia, Dr. Plinio atacava uma vez mais a unilateralidade com que a doutrina católica era apresentada:
“A doutrina de Nosso Senhor Jesus Cristo prega certamente o perdão e a misericórdia, mas não prega a cretinice. Quando um adversário investe contra nós para nos roubar os maiores bens da alma e do corpo, é para nós um direito sagrado, a defesa, e mais do que isto constitui um grave e imperioso dever. Assim, os cruzados, por exemplo, não duvidaram em efundir sangue sarraceno para libertar o Santo Sepulcro e as Cristandades do Oriente. A Inquisição não duvidou em acender fogueiras para defender a fé e a civilização... e tanto não duvidou, que até passou consideravelmente da conta e dos limites. E quantos outros casos análogos não poderíamos citar! Santa Joana d'Arc, por exemplo, não fechou o Evangelho quando partiu em guerra para a libertação de sua Pátria, mas cumpriu um altíssimo dever evangélico quando o fez. O que pensa, pois, nosso jornalista de tudo isto?
“Querem saber o que provavelmente pensa? Terá tido um calafrio lendo o que dissemos, e terá pensado que somos muito atrasados, porque Religião não é cruzada, nem Santa Joana d'Arc. Religião é... doçura... ou seja imbecilidade!
“Religião é doçura, sim. Mas só é doçura nos casos em que a doçura não se confunde com estupidez”.13
*    *    *
Concluímos constatando que foi a perda da militância e a conseqüente condescendência para com o erro, o que levou os inimigos externos e internos da Igreja a desafiá-la insolentemente; ou pior, a deformar os meios católicos por dentro.
Se a mentalidade “pacifista”, “dialogante”, entreguista, emoliente e desertora logrou penetrar em tantos meios católicos a partir de amplos setores da Ação Católica, tal não se deveu à falta de insistência do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira. Ele apontou a militância como condição de autêntica catolicidade, doutrina que ele ensinou e incentivou por todos os meios ao seu alcance até o fim de sua vida.
A responsabilidade pelas apocalípticas defecções dos católicos perante a Revolução – algumas delas produzindo frutos que estão descritos nas frases dos seguidores de Maomé, citadas no início deste artigo – se deve ao espírito igualitário, liberal, acomodatício e oportunista, numa palavra revolucionário, assumido por incontáveis eclesiásticos e leigos de todo o mundo a partir dos anos 30.
Catolicismo deposita sua total confiança no poderoso auxílio de Nossa Senhora, a fim de que, sejam quais forem as circunstâncias, jamais nos arredemos do caminho encetado pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, que contra o insidioso espírito dos espúrios compromissos afirmava em 1944:
“Se Deus quiser, a política do ‘Legionário’ continuará sempre a mesma [...] fazendo pactos só com Deus, seus anjos e seus santos, desprezando pois, inteiramente, todos os sofismas que o levariam a manchar a pureza imaculada da doutrina católica”.14
_________
Notas:
1. Traité moderne de théologie islamique, Cheik Si Hamza Boubakeur, in Augier Pierre, Dialoguer avec l’Islam?, Centro Montauriol, IV Congresso de Peregrinações a Lourdes, pp. 27 e ss.
2. Bruno Etienne, L’Islamisme radical, Hachette, Paris, 1987, pp. 22-23.
3. Empregamos a palavra Revolução e revolucionário no sentido que lhes atribui Plinio Corrêa de Oliveira em seu livro Revolução e Contra-Revolução.
4. Sobre o profetismo no Novo Testamento, cfr. Juan Gonzalo Larrain Campbell em: Plinio Corrêa de Oliveira: Previsiones y Denuncias em defensa de la Iglesia y de la civilización cristiana (Petrus Editora, rua Visconde de Taunay, 363, Bom Retiro – 01132-000 – São Paulo – SP – pp. 197-202).
5. Nossas reivindicações políticas, “Legionário” no. 74, de 8 de fevereiro de 1931.
6. Ofensiva?, “Legionário” no. 181, de 29 de setembro de 1935.
7. A estratégia apostólica de Pio IX, “Legionário” no. 326, de 11 de dezembro de 1938.
8. A estratégia apostólica de Leão XIII, “Legionário” no. 327, de 18 de dezembro de 1938.
9. Desmascarar, “Legionário” no. 446, de 30 de março de 1941.
10. Nós também... “Legionário’” no. 448, de 13 de abril de 1941.
11. Não tratemos os lobos como ovelhas perdidas, “Legionário” no. 472, de 28 de setembro de 1941.
12. Arautos do Divino Rei, “Legionário” no. 478, de 9 de novembro de 1941.
13. 7 dias em revista, “Legionário” no. 534, de 1º. de novembro de 1942.
14. O discurso de Churchill, “Legionário” no. 617, de 4 de junho de 1944.
N.B.: Os negritos que figuram neste artigo são nossos.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Comemoração de Corpus Christi

Comemoração de Corpus Christi :

A festa de Corpus Christi é comemorada pelos católicos no mundo inteiro, mas na Alemanha ela se reveste de especial solenidade. Foi instituída na Igreja pelo Papa Urbano IV, com a Bula Transiturus de 11 de agosto de 1264, para ser celebrada na quinta-feira após a Festa da Santíssima Trindade, a qual cai no domingo depois de Pentecostes. O decreto papal teve pouca repercussão, porque o Pontífice faleceu em seguida. Mas a comemoração propagou-se por algumas igrejas, como na diocese de Colônia", na Alemanha, onde Corpus Christi era celebrada já antes de 1270. A procissão surgiu em Colônia" e difundiu-se primeiro na Alemanha, depois na França eItália. Em Roma é comemorada desde 1350.

O Concílio de Trento (1545–1563) confirmou essa festa, que na Alemanha tomou um caráter de demonstração de fé no Santíssimo Sacramento contra os protestantes, que negam esse sacramento e a presença real. Desta forma, Corpus Christi tomou um caráter de pujante afirmação do catolicismo, sobretudo nos lugares ditos de diáspora, onde os católicos são minoria.

 

quarta-feira, 13 de abril de 2011

A dor eleva a alma e faz dela um paraíso

Em numerosas palestras e conversas mantidas ao longo de sua fecunda existência, Plinio Corrêa de Oliveira abordou o tema da dor, essa companheira inseparável de todo ser humano. Especialmente amada pelos bons católicos, ela os torna semelhantes a Nosso Senhor Jesus Cristo e lhes pavimenta o caminho para o Céu.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Comunhão Reparadora dos Primeiros Sábados: como obter a assistência de Nossa Senhora na hora da morte



Bookmark and Share




Plinio Maria Solimeo
Muitos já ouviram falar da Comunhão dos primeiros sábados. Mas poucos compreendem a fundo o seu real significado. Por isso, não a praticam com as disposições de alma desejadas por Nossa Senhora de Fátima. Comemorando-se em maio próximo o 80º aniversário do início das aparições de Fátima, julgamos oportuno apresentar aqui tal devoção, bem como alguns comentários, tendo em vista ajudar nossos leitores a obterem o máximo proveito dessa prática de piedade, certamente indispensável em nossa época, imersa no neopaganismo.
Porém, para se compreender bem o alcance de uma revelação, é necessário ter-se presente o contexto no qual se encaixa. A da Comunhão dos Primeiros Sábados, se bem que em seus detalhes tenha sido revelada posteriormente, constitui parte essencial das aparições de Fátima que, em sua substância, pode ser resumida em reparação a Deus, feita por meio da oração e da penitência. É assim que deve ser entendida como veremos a seguir.
"Deus quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração"
Na sua segunda aparição, em 13 de junho de 1917, Nossa Senhora disse claramente a Lúcia: "Jesus quer servir-se de ti para Me fazer conhecer e amar. Ele quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração". E fez ver aos videntes o seu Coração cercado de espinhos -- símbolos dos pecados da humanidade -- e que queria reparação.
A Santíssima Virgem, ao aparecer pela terceira vez aos três videntes -- Lúcia, Francisco e Jacinta -- deu-lhes  uma idéia mais pungente da gravidade do pecado e, portanto, da necessidade da reparação, mostrando-lhes ver o inferno. Para dele salvar a multidão dos pecadores, repete Ela, "Deus quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração".
 Por desígnios insondáveis de Deus, só essa devoção poderia então salvar o mundo. Se não fosse seguida, viriam castigos e uma guerra ainda maior; "para a impedir, virei pedir a consagração da Rússia ao meu Imaculado Coração e a comunhão reparadora nos primeiros sábados.
Aqui Nossa Senhora menciona pela primeira vez essa comunhão reparadora, como meio de evitar a punição.
Se mais esse apelo não fosse ouvido, castigos maiores abater-se-iam sobre o mundo, por meio da Rússia. No entanto, quando tudo parecer perdido, os acontecimentos tomarão outro rumo, pois, afirma Ela, "Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará".
Obtenha graças recorrendo a Maria
Pouco depois das aparições Nossa Senhora, como havia prometido, levou Francisco para o Céu. Jacinta quis permanecer um pouco mais na terra para sofrer pelos pecadores, e sobre ela se abateram inúmeros sofrimentos físicos e morais. O pior deles foi para ela o de morrer sozinha num hospital de Lisboa. Nossa Senhora, entretanto, não a abandonou e, em várias visitas, instrui-a em sua missão reparadora. Um dia antes de seu falecimento, Jacinta chamou Lúcia, dizendo-lhe: "Daqui a pouco irei para o céu. V. ficará aqui para tornar conhecida a vontade de Deus de que se estabeleça a devoção ao Imaculado Coração de Maria no mundo. Quando o tempo de falar chegar, não se esconda. Diga a todo mundo que Deus concede Suas graças através do Imaculado Coração de Maria, que as devemos pedir a Ela, e que o Coração de Jesus quer que o Imaculado Coração de Maria seja honrado juntamente com o seu, que se deve pedir ao Imaculado Coração de Maria pela paz, porque Deus colocou-a sob sua custódia”.
A revelação dos Primeiros Sábados
Lúcia, a única sobrevivente desses celestes contatos, entrou para o Instituto de Santa Dorotéia, onde tomou o nome de Irmã Maria das Dores. Estando no dia 10 de dezembro de 1925 em sua cela, no convento de Pontevedra, Espanha, apareceu-lhe a Santíssima Virgem, tendo ao lado o Menino Jesus, sobre uma nuvem luminosa. Este, mostrando-lhe um coração cercado de espinhos que tinha na outra mão, disse-lhe: "Tem pena do Coração de tua Santíssima Mãe, que está coberto de espinhos que os homens ingratos a todos os momentos Lhe cravam, sem haver quem faça um ato de reparação para os tirar". A Santíssima Virgem acrescentou: "Olha, minha filha, o meu Coração cercado de espinhos que os homens ingratos a todos os momentos Me cravam com blasfêmias e ingratidões. Tu, ao menos, vê de Me consolar, e dize que todos aqueles que durante cinco meses, no primeiro sábado, se confessarem, recebendo a Sagrada Comunhão, rezarem um terço e Me fizerem quinze minutos de companhia meditando nos quinze mistérios do Rosário com o fim de Me desagravar, Eu prometo assistí-los na hora da morte com todas as graças necessárias para a salvação dessas almas".
Esta devoção tem, assim, a finalidade de reparar o Coração Imaculado de Maria pelas ofensas dos homens. E deve ser praticada em cinco primeiros sábados consecutivos. Divide-se em vários ítens, todos indispensáveis:
1 - confissão; (1)
2 - comunhão;
3 - recitação do terço;
4 - e quinze minutos de companhia a Nossa Senhora meditando nos quinze mistérios do Rosário (2).
Na prática, como seguir esta devoção?
Evidentemente a pergunta que se impõe é como praticar essa devoção em nossos dias, no contexto da mensagem de Fátima. Para respondê-la, é necessário considerar-se em primeiro lugar o que é que tanto fazia sofrer o Imaculado Coração de Maria na época das aparições, clamando por reparação, e, em nossos dias, o que acontece a este respeito.
Para isso, pode-se aduzir vários dados revelados por Nossa Senhora a Jacinta. Mas, por brevidade, vamos considerar apenas três pontos:
1 - "Minha madrinha (3), peça muito pelos Padres! Peça muito pelos Religiosos! Os Padres só deviam ocupar-se das coisas da Igreja. Os Padres devem ser puros, muito puros".
"A desobediência dos Padres e dos Religiosos aos seus Superiores e ao Santo Padre ofende muito a Nosso Senhor".
* É o clero de hoje mais virtuoso que o daquela época? Infelizmente não. Basta lembrar que hoje em dia a maioria dos eclesiásticos sente-se mal em trajar-se como pessoas consagradas. E também constatar o número crescente de sacerdotes -- religiosos e seculares -- que não prezam a virtude da pureza, sendo de se perguntar se cumprem o voto de castidade que fizeram.
2 - "Minha madrinha, peça muito pelos governos! ≡i dos que perseguem a Religião de Nosso Senhor! Se o governo deixasse em paz a Igreja e desse a liberdade à Santa Religião, era abençoado por Deus".
* Para analisarmos um só aspecto: que governo moderno não tem aprovado pecados públicos e oficiais contra Deus, como o divórcio, o aborto, o "casamento" homossexual...  -- para ficar só no campo moral?
3 - "Os pecados que levam mais almas para o inferno são os pecados da carne".
"Hão de vir modas que hão de ofender muito a Nosso Senhor.
"As pessoas que servem a Deus não devem andar com a moda. A Igreja não tem modas. Nosso Senhor é sempre o mesmo".
* Houve jamais época em que se perdesse mais completamente a noção de pureza, de decência, de pudor, de fidelidade conjugal, de virgindade, de pureza infantil e juvenil do que em nossos dias? O número de divórcios, de uniões ilegítimas, de mães solteiras, de aborto, de pecados contra a natureza... é de clamar aos Céus. A televisão agride os lares, levando para seu interior toda a enxurrada das sarjetas, que, infelizmente, é recebida de modo passivo pela grande maioria das famílias. Enfim, nossa época perdeu inteiramente a noção de pecado.
Conclusão
Com tudo isto visto, poderá parecer a muitos leitores quase impossível cumprir com esta devoção, sobretudo pela imperiosa necessidade de não dobrar os joelhos diante dos ídolos do mundo contemporâneo -- um dos quais a maldita tirania das modas imorais. É necessário, entretanto, ter presente que, o que aos homens é impossível não o é a Deus (cfr. Mt. 19,26). E que o caminho certo para se obter isso é Nossa Senhora.
Realmente, indaga o Pe. Thomas de Saint-Laurent "quereis transformar vossa vida? Quereis praticar facilmente as virtudes que vos parecem inacessíveis e que Deus entretanto vos pede? Quereis conhecer as alegrias inefáveis que somente o amor de Jesus pode proporcionar e que faziam as delícias dos Santos? Quereis experimentar em vós essas maravilhas?". Ele mesmo dá a magnífica e teologicamente exata resposta: "Se o quereis seriamente, não hesiteis um só segundo: dirigi-vos a Maria. Não há caminho mais direto para ir a Nosso Senhor" (4).
Além de estar, por esse modo, reparando Seu Imaculado Coração, que alegria, que paz de alma terá aquele que, livrando-se da tirania do demônio e seus sequazes, aceita o suave jugo de Deus, que o levará ao paraíso celeste! Que para tal, prezado leitor, Nossa Senhora de Fátima conceda-lhe abundantes graças.
___________________
Notas:
(1) Mais tarde, quando o Menino Jesus lhe aparece novamente para cobrar a divulgação dessa devoção, a Irmã Lúcia levantando a dificuldade que algumas pessoas teriam para confessar-se no sábado, pediu-Lhe que fosse válida a confissão de oito dias. O Infante Menino respondeu-lhe que poderia ser até de "muitos mais dias ainda, contanto que, quando Me receberem, estejam em graça e tenham a intenção de desagravar o Imaculado Coração de Maria". Caso a pessoa se esquecesse, ao confessar-se, de formular essa intenção, disse Nosso Senhor que "podem formá-la na outra confissão seguinte, aproveitando a primeira ocasião que tiverem de se confessar".
(2) Aqui intérpretes afirmam que trata-se de meditar sobre um dos quinze mistérios do Rosário, pois do contrário seria praticamente impossível meditar os quinze nos quinze minutos estabelecidos por Nossa Senhora.
(3) Em Lisboa, antes de ir para o hospital, Jacinta ficou hospedada num orfanato onde foi assistida por Madre Godinho. Essa religiosa, a quem as crianças chamavam carinhosamente de "Madrinha", providencialmente tomou nota de suas palavras.
(4) Pe. Thomas de Saint-Laurent, A Virgem Maria, Série Cultura Religiosa nº 3, Artpress, São Paulo, 1996, tradução de Hélio Dias Viana, p. 11.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Na madrugada de 20 de junho de 1969, uma bomba terrorista destruía a fachada da então Sede do Conselho Nacional da TFP, à rua Martim Francisco, em São Paulo. Entre os objetos mais danificados pelo atentado criminoso, estava uma imagem de Nossa Senhora da Conceição. Concluída a restauração do edifício, o porteiro do mesmo, Manuel deu esta linda sugestão: fazer um oratório dando para a rua, no local preciso onde a bomba explodira, a fim de ali expor à veneração pública a imagem danificada. Com isto se repararia a ofensa feita à Virgem Mãe de Deus. Comemorando o 41º aniversário de tal acontecimento, propomos a nossos visitantes a leitura do artigo Maio de 1970: dois jovens rezam por você, publicado em 1970 para comentar os inícios da Vigília de Orações que em tal oratório se iniciara. Acrescentamos ao mesmo gravação de palavras ( áudio ) proferidas pelo Prof. Plinio no décimo aniversário das Vigílias.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Produtores de alimentos X Ambientalistas radicais

Nelson Ramos Barretto
Paulo Henrique Chaves
 Em sã consciência — e até mesmo por educação — ninguém pode ser contrário à preservação do meio ambiente. Discordar dos exageros na sua defesa, isso sim, pode e deve ser feito, e até com veemência.
Para se aplicar dispositivos legais justos nessa questão, faz-se necessário, além de muito bom senso, uma abrangente análise de todos os setores envolvidos pelas normas reguladoras. Mas não é essa a política que vimos assistindo no Brasil, onde pululam os radicalismos com aplicações de pesadas penalidades para uma única infração, muitas vezes sem julgamento. Criam-se leis com prazos impossíveis de serem cumpridos, como a Instrução Normativa nº 001, de 29 de fevereiro de 2008, que deu origem a tantas punições.
O mesmo se pode dizer do Decreto 6.514/08, que impôs a todos os agricultores brasileiros multas diárias com valores confiscatórios, por falta de averbação de reserva legal. Ademais, com exigências impraticáveis sobre as APPs (Áreas de Preservação Permanente), o que ipso facto colocou 90% dos produtores rurais na ilegalidade. A prorrogação do prazo para os agricultores se adequarem ao Código Florestal, feita pelo Decreto 7.029, de 10/12/2009, não passou de expediente político na tentativa de ganhar tempo e mitigar as pressões contrárias e coerentes, mas deixando reféns da lei os atingidos.


Há provas abundantes de que as vegetações cultivadas produzem saldo positivo superior ao das vegetações nativas, na relação de oxigênio (O2) sobre gás carbônico (CO2) e metano (CH4), os temidos “gases do efeito estufa”.
 Princípio de sustentabilidade
Tais medidas parecem radicadas em uma política ideológica e preconceituosa, pois é inconcebível que elas não levem em consideração o princípio de sustentabilidade, formado pela combinação de três fatores:
a) eficiência econômica;
b) responsabilidade ambiental;
c) equilíbrio social.
No Estado de Direito, antes de se aprovarem as leis, torna-se imperiosa a discussão exaustiva entre os segmentos envolvidos. No caso específico, a classe dos produtores rurais é a mais concernida, no entanto ela é a que de maneira contumaz vem sendo mantida mais afastada das decisões. De acordo com tal princípio, e observando estritamente o que mais importa à sociedade brasileira, devem ser considerados os seguintes aspectos:
1) O excesso de reservas de vegetação nativa. Existe mesmo a obrigação legal de retroatividade para as propriedades que ainda não as possuem, a fim de formar pequenas ilhas de vegetação. Se este item for analisado com base no princípio da sustentabilidade, conclui-se que ele apresenta resultados práticos muito duvidosos, podendo mesmo acarretar mais danos que benefícios. Exige demais do proprietário rural, sob o pretexto, aliás pífio, de combater o duvidoso e hipotético aquecimento do planeta. Além de tratar-se de uma aventura baseada numa hipótese discutível, os produtores rurais terão de arcar com o custo total dessa aventura. Supõe-se estar favorecendo o planeta, mas em detrimento de toda a população brasileira, que representa cerca de 3% da população mundial. Impedir a redução controlada de uma parte da vegetação nativa e exigir a complementação da reserva legal podem ter efeito danoso na produção de alimentos.
2) A produção de alimentos deve fazer-se em volume e preços acessíveis, de modo a beneficiar a população nacional, proporcionando níveis decentes de alimentação principalmente aos mais necessitados.
 Carne: alimento mais barato do mundo
O exemplo do setor agropecuário é esclarecedor. Na pecuária de corte, o produtor rural recebe menos de 30% do valor da carne bovina pago pelo consumidor nos açougues, além disso nada lhe pagam pelo couro, cabeça, miúdos e sebo do gado abatido. Ou seja, mais de 70% do valor do boi fica com o Estado (através de impostos diretos e indiretos), com os frigoríficos e mercados varejistas (Cfr. estudo realizado pela Acrimat).
Se considerarmos seu valor nutritivo, a carne seria talvez o alimento mais barato do mundo, caso o consumidor brasileiro pagasse o que recebe o produtor, ou seja, R$ 2,70 por quilo, em vez de R$ 10,00. Vale considerar ainda os bilhões de dólares anuais que entram no Brasil com as exportações dos excedentes agropecuários.

70% do valor do boi fica com o Estado (através de impostos diretos e indiretos), com os frigoríficos e mercados varejistas
 O mito dos gases
Há provas abundantes de que as vegetações cultivadas produzem saldo positivo superior ao das vegetações nativas, na relação de oxigênio (O2) sobre gás carbônico (CO2) e metano (CH4), os temidos “gases do efeito estufa”.
Já se provou igualmente que as áreas desmatadas e plantadas da mata atlântica não tiveram influência sobre o clima, por exemplo, no regime de chuvas. As terras não viraram desertos, tornaram-se antes uma das maiores áreas produtoras do mundo. Nessa perspectiva, os desmatadores em novas regiões do País podem ter errado, mas muitos deles sem a intenção de fazê-lo, como por exemplo nos casos decorrentes da terceirização dos serviços de desmates, sem contar inúmeros outros induzidos por leis injustas.
Exemplo característico foi a Medida Provisória que se tornou lei em 2001, ampliando as áreas de reservas na Amazônia de 50% para 80%, e de 20% para 35% nas áreas de cerrado, o que obrigou à recuperação de grandes áreas desmatadas em todo o País. A grande maioria dos desmatamentos fora feita de acordo com as leis da época, e agora tais áreas produzem alimentos ou são florestas plantadas.

Parece até que as autoridades estão mais preocupadas — e com pressa desmesurada — em colocar na desgraça os produtores rurais do que em corrigir possíveis danos ambientais.
 Produzir alimentos é crime?
Como obrigar os produtores a cumprir as leis ambientais de hoje, sem garantias de que amanhã eles poderão estar novamente fora-da-lei e correndo o risco de receber mais penalidades, como vem acontecendo?
Em décadas passadas, o governo federal dava incentivo a agricultores e pecuaristas para desmatar florestas, áreas de cerrado e várzeas, para a produção de alimentos, com a intenção de transformar o Brasil num dos celeiros do mundo, como já o é. Poderá ocorrer num futuro próximo, com o aumento populacional brasileiro e mundial, que a situação se reverta e se dê novamente preferência à produção de alimentos. Se isso ocorrer, os “vigaristas” e “criminosos” de hoje (os agricultores) seriam reabilitados e enaltecidos, e os atuais defensores radicais do meio ambiente tornar-se-iam réus, responsabilizados e cobrados pelos excessos do passado.
Autos de infração aplicados indevidamente
Devemos ainda considerar que muitos autos de infração ambientais são aplicados indevidamente. Eis alguns exemplos:
1 – Em entrevista ao “Financial Times”, Daniel Nepstad, do Centro de pesquisas Woods Hole dos Estados Unidos, afirma que a utilização das imagens de satélite produzidas pelo INPE para medir o nível de desmatamento da floresta pode provocar uma “nova onda de anarquia”. Nepstad declarou que as imagens são imprecisas, e só deveriam servir como base para a verificação in loco do desmatamento em si: “Definir medidas do governo com base em dados incertos é simplesmente um erro”.
2 – Duplicidades de autos de infração feitas por fiscais diferentes para a mesma infração.
3 – Multas com valores absurdos e de épocas diferentes, e mesmo impagáveis, enquanto outras são lavradas com base em fotos não só de satélites, mas feitas até de avião.
4 – Multas lavradas com vistorias feitas anteriormente, ou mesmo contestadas, mostrando o agricultor que naquela propriedade não houve queimada, mas sim na propriedade vizinha.
5 – Multas pela falta de reserva legal, embora tal reserva exista em outra área da propriedade.
 Multas e mais multas...
Com efeito, torna-se impossível para o produtor rural continuar se defendendo de tantas penalidades diante de certos órgãos estatais, que medem a produtividade de seus fiscais pelo número de multas aplicadas. São multas que não acabam mais! A continuar esse sistema, será estabelecido o caos em nossos campos, já duramente conturbados.
Além de fazer justiça aos agropecuaristas — eles prestam grande serviço ao País — seria coerente colocar os possíveis infratores ambientais (possíveis, pois ainda não foram julgados) novamente dentro da lei, e para isso há três caminhos:
  • Acelerar o julgamento dos processos administrativos, que são julgados pelos próprios órgãos estatais aplicadores das penalidades.
  • Acelerar a obtenção da LAU (Licença Ambiental Única) emitida pelas secretarias dos estados da federação.
  • E por fim, acelerar os processos jurídicos.
 A malícia das penalidades
Como esses processos demoram anos ou até décadas para serem julgados, os produtores rurais suspeitos de se encontrarem em situação irregular continuarão penalizados durante todo o período de espera, como no caso das multas e dos embargos de propriedades, respondendo a processos e impossibilitados de obter financiamento.
Cumpre ressaltar que tais penalidades são registradas e identificadas pelo CPF do proprietário, e portanto não atingem somente a área dentro da propriedade que teria sofrido danos ambientais, mas sim todas as outras eventuais propriedades e empresas que o autuado possua no território nacional.
Devido à longa demora nos julgamentos, ele deixará de produzir, pois continuará a ser tratado como fora-da-lei. Todos esses suspeitos de culpabilidade querem ser reintegrados. Além do mais, é obrigação do Estado lhes conceder este direito, principalmente tendo-se em vista que quase todas as penalidades lhes foram impostas antes mesmo de eles serem julgados.
Parece até que as autoridades estão mais preocupadas — e com pressa desmesurada — em colocar na desgraça os produtores rurais do que em corrigir possíveis danos ambientais.
 Medidas prejudiciais ao Brasil
Como as penalidades baseiam-se em autos de infração – muitos deles lavrados indevidamente, e ainda não julgados administrativa e judicialmente – deveriam elas ser suspensas até o final dos julgamentos. Ou mesmo canceladas, até que sejam definidas regras claras e lógicas sobre o assunto, principalmente as mais severas aplicadas na região amazônica.
Com efeito, tais medidas seriam mais úteis ao País do que as punições. A exemplo da anistia política, seria uma anistia administrativa para o bem de todos os brasileiros. Uma vez feitas leis coerentes, duradouras, justas e aceitas pelas lideranças rurais que lutam pela alimentação farta e barata para a população brasileira, todos poderão começar vida nova.
 É verdade que o Estado nunca erra?
Se os infratores erraram, o Estado brasileiro também errou. E não pouco! Há confusas e constantes mudanças das leis ambientais, além de disparatados critérios usados pelos órgãos estatais que fiscalizam e penalizam, e isso gera o desrespeito à propriedade privada, com severas e excessivas penalidades para uma mesma infração, além de impor aos produtores rurais todo o ônus decorrente da observância dessas leis.
 Não é preciso ser profeta para concluir que tais medidas resultarão, a médio prazo, em uma estagnação ou diminuição da produção agropecuária.

http://www.catolicismo.com.br/

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Comemoração de Corpus Christi




A festa de Corpus Christi é comemorada pelos católicos no mundo inteiro, mas na Alemanha ela se reveste de especial solenidade. Foi instituída na Igreja pelo Papa Urbano IV, com a Bula Transiturus de 11 de agosto de 1264, para ser celebrada na quinta-feira após a Festa da Santíssima Trindade, a qual cai no domingo depois de Pentecostes. O decreto papal teve pouca repercussão, porque o Pontífice faleceu em seguida. Mas a comemoração propagou-se por algumas igrejas, como na diocese de Colônia", na Alemanha, onde Corpus Christi era celebrada já antes de 1270. A procissão surgiu em Colônia" e difundiu-se primeiro na Alemanha, depois na França eItália. Em Roma é comemorada desde 1350.
O Concílio de Trento (1545–1563) confirmou essa festa, que na Alemanha tomou um caráter de demonstração de fé no Santíssimo Sacramento contra os protestantes, que negam esse sacramento e a presença real. Desta forma, Corpus Christi tomou um caráter de pujante afirmação do catolicismo, sobretudo nos lugares ditos de diáspora, onde os católicos são minoria.

Neste ano(2007), a Sociedade Alemã de Defesa da Tradição, Família e Propriedade foi convidada pelo pároco de São Martin — igreja que pertence à cidade de Köllebach, no Estado do Sarre — para participar da procissão de Corpus Christi. Atendendo a esse pedido, a entidade enviou uma delegação de seus cooperadores, portando capas rubras e estandartes com o leão rompante, símbolos da associação, o que acrescentou um especial brilho à secular festa católica.
Autor:Atílio Faoro

fonte: Revista Catolicismo