quarta-feira, 19 de maio de 2010

VI Congresso Eucarístico Nacional; beleza e respeito a liturgia!

Socialismo: rumo para a miséria

"Se o comunismo produz a miséria, todo regime sócio-econômico será tanto mais depauperante quando mais se parecer com o comunismo.

"Ora, o socialismo não é senão uma diluição do comunismo em marcha para a progressiva substituição de todas as características não comunistas por outras radicalmente comunistas.

"Logo, se o socialismo não é diretamente a miséria, é a pobreza rumo à miséria."

Dr. Plínio
(Fonte: "Folha de S. Paulo", 24 de dezembro de 1972)

Revolução Francesa

"Sobre o solo francês ainda permanecem, por assim dizer, as torrentes de sangue derramadas pela Revolução.

"De modo que, para os franceses é muito mais concebível a Revolução ser discutida e atacada, do que para populações de países distantes, onde ela pode ser apresentada folcloricamente como um acontecimento triunfal, à maneira de um bolo de noiva, todo branco."

Dr. Plínio
(Fonte: Catolicismo, N.° 475, Julho de 1990)

terça-feira, 11 de maio de 2010

O Santo Condestável Dom Nuno Álvares Pereira modelo de Cruzado por Deus! Cruzado de Deus! para a Juventude!

O Santo Condestável Dom Nuno Álvares Pereira modelo de Cruzado por Deus! Cruzado de Deus! para a Juventude!



Márcio de Souza Coutinho


Em um Mundo conturbado por anarquismo e por libertinagem de toda ordem, que afeta de forma profunda nossa juventude, escravizando-a ao um falso idealismo, por não terem modelos com ideais verdadeiros a imitar.

Mas a história, vem nos mostrando que existe modelos para juventude, basta querermos imitar.

Desta vez é um modelo de Jovem Cruzado, um Santo, que teve a honra de subir aos altares no dia 26 de abril de 2009.

Uma pergunta sempre vem à tona, o que fez para se tornar Santo? Quais foram as suas proezas?

Alguns em uma visão simplória se perguntam, será que ele ajudou muito os pobres, fez muitas obras de caridade e etc.?! Outros com uma visão maior, se perguntam quais foram as virtudes que ele praticou em grau Heróico?! Já poucos, que deveriam ser muitos, devem se perguntar o que ele refletiu de Deus, sendo todos nós imagem e semelhança de Deus?! Santo Frei Nuno de Santa Maria (seu nome religioso) refletiu uma das virtudes de Deus nesta Terra.

Por isso não reteremos em sua vida final como religioso, mas sim em sua juventude heróica, como jovem cavaleiro, no qual motiva-nos escrever.

Sua alma nimbada de um espírito de Cruzada fez desde jovem um Cavaleiro, no sentido mais áureo da palavra, tendo sua alma direcionada a defender a Fé , a servir seu Rei e seus patriotas, a proteger os velhos,as mulheres e os desprovidos e auxiliar os indefensos, com esses princípios da Cavalaria, fez deles a sua nota marcante de sua vida.

Na sua mocidade, já floria um espírito de Cruzado, marcado por um grande feito, que, a pedido de Dom Fernando de Portugal, deveria recolher com seu irmão Dom Diogo, valiosas informações sobre a invasão, que o Rei Henrique II de Castela investia sobre Portugal, sua tarefa foi tão bem sucedida que foi armado Cavaleiro, com apenas 13 anos de idade! Em contra partida, hoje nossos jovens são entregues a bandidagem nesta fase!

Um tremendo choque de Civilização!

Analisemos dois modos de ser

e de pensar de duas juventudes que se diferem de épocas:

1 - Jovem Cavaleiro Medieval

(armado)

2 - Pobre Jovem Moderno (armado)

O que acharam deles?

Ambos armados! Até se pode dizer que estão com as armas mais modernas de suas épocas!

Na cabeça de jovens do século XXI, perguntas florescem!

Portanto são eles idênticos? Hum, Não!

Então! Ambos desejam veementes que suas armas sintam o gozo de embeber-se no sangue do inimigo? Também Não!

Só pode ser! Estão armados para poderem por medo nos outros e se sentirem maiorais? Não! Muito infantil!

Há! Já sei! Eles querem usar da força, porque não conseguem com o dialogo a paz, mesmo sabendo que com as armas nunca conseguirão? Não! E, falar de paz para traficante é um pouco forçado! Puxa vida! Eles têm que se parecerem!

Não é fácil! Dá até para entender a causa do estado deste pobre jovem e que fim terá! Mas o mais difícil é! E como é difícil! É entender o porquê desses dois modos de ser, tão diferentes! O do cavaleiro e o do pobre jovem, ambos armados! POR QUE se diferem? OH PORQUÊÊÊ???

Calma meu jovem, não se aflija, para isto se tem resposta! Mas dependerá mais de você do que da resposta.

Conheço um amigo muito sério, o Paulo Direito, que sempre procura encontrar as raízes das coisas, um certo dia ele me disse o seguinte:

“Eu estava na aula de História, e a profª Bete veio dizendo que a Idade Média, foi a mais sombria das Épocas que o homem possa ter vivido! Porque a Igreja, abitolava em tudo os homens, dizendo o que é certo e errado, era uma Era da obscuridade, por que tudo que nascia, já nascia morto!”

Puxa! Faz me lembrar das minhas aulas de História!

Ele continua: “Durante todo ano ouvi isto, mas comecei pensar nestes MIL ANOS de história, morria tudo mesmo? Então perguntei a Prof. Profª Bete tenho uma grande dúvida, e a Sra. como letrada que é, pode me esclarecer? Sim meu filho! Diga o que é, provavelmente é sobre aqueles carrascos cavaleiros, que em nome de uma honra aniquilava tudo o que via?! Sim. É também. E ela disse: Estão vendo meus alunos como é verdade, que eles foram uns monstros! Um momento Profª! A minha pergunta não era bem esta! Espantada ela continua: Não vem me dizer que você os admira? Neste momento fiquei pasmo, sem entender. Ela exclamou: Nossa! Em todo os meus 30anos trabalho, nunca vi isto, que absurdo! Logo você Paulo um rapaz inteligente, de mente aberta, cair nesta?! Você não se depara do absurdo que defende?! Você esta indo contra a lógica humana! E a classe exclama neste momento: Que horror Paulo!!!”

Nossa! Só o Paulo para sair de uma desta e com uma dessa!

E Ele prossegui:“ Profª! Eu nem fiz a pergunta. E ela continua: Ah Bom! Já estava fazendo um juízo mal de você! Então faça a pergunta rapaz. E ele perguntou: Profª eu me deparo sobre um problema intrigante, que é o seguinte; Sempre ouvi e ouço que o cavaleiro medieval foi a expressão mais deprimente que o homem possa ter sido, um pouco antes a Sra. tinha referido a um carrasco,um monstro, fora outros adjetivo proferidos em suas aulas, logo algo depreciativo, que ninguém gostaria de ser. — Isto mesmo Paulo! Falava a profª, que conclamou a classe a ovacionar a Paulo. Calma gente. Mas o que me intriga é: como pode ser isto, que em pleno século XXI, se diz de uma pessoa que pratica um gesto bonito,um gesto de hospitalidade, um gesto de dar preferência a senhoras ou de uma boa ação. Que é: Que NOBRE de pessoa!; Que gesto NOBRE!; Obrigado por ser “CAVALEIRO¹”!; Que bom e ver que ainda existi homens “CAVALEIROS” neste mundo!. Profª eu não consigo relacionar depreciação com: Nobre e Cavaleiro(Cavalaria). Poderia a senhora me esclarecer de tudo isto??? Nesta hora não fui eu que fiquei pasmo, atônito, mas sim, todos os alunos e de grande destaque a Profª Bete.”

Bem que sabemos as respostas, hein Paulo! Um silêncio gritante daqueles.

Jovem se ainda não sabe qual seria a resposta é só perguntar a seus professores, provavelmente exista vários professores “Betes” por ai. Caso respondam, gostaria de saber como saíram desta!.

Será que os significados destas palavras, Nobre e Cavalaria lhe digam algo a mais agora, e que por de trás delas desvendam-se valores de tradição, de Religião, de princípios, de ideais que ainda crepitam como brasas sob a cinza em um mundo que as regurgitam?!

Agora sim, poderás ver, que ser Santo e Cavaleiro não se dissocia. A Santidade de Santo Nuno, o Condestável, não foi adquirida fora dos campos de batalha ou fora de sua juventude heróica, como Católico militante, como já dizia o sábio Salomão “O Homem segue na velhice o mesmo caminho que empreendeu na sua adolescência, e não se afastará dele” (Provérbios 22,6), como também, nada de grande se faz por acaso, aí se entende a importância de ter uma juventude virtuosa.

Santo Nuno nasceu em Cernache do Bonjardim, Portugal, no dia de São João Batista, em 24 de junho de 1360, descendia de ambas partes da mais alta nobreza lusitana.

Sua juventude com já vimos foi marcada por grandes proezas, destas a que mais sobressaiu foi a batalha de Aljubarrota. Nela com apenas 24 anos sai reluzente, com um exército de apenas 7.700 homens incluído arqueiros ingleses, contra a grande Espanha com 30.000 homens, arrojou um golpe fatal sobre os castelhanos, datada em 13 de agosto de 1385. Em retribuição a esta crucial vitória, manda edificar, junto com Dom João I , Mestre de Aviz, um mosteiro em honra a Santa Maria da Vitória, conhecido como Mosteiro da Batalha.

Atrás de si, com sua espada cintilou grandiosas vitórias, como: a de Atoleiros em 6 de abril de 1384; a de Valverde de outubro de 1385 e até a África foi, para desembarca com as tropas do Rei na decisiva tomada de Ceuta em 1415.

Mas a grande batalha que teve que travar, foi contra si mesmo. Faz me lembrar de um estimado conselho de um grande líder Católico de renome, o Prof. Plínio Corrêa de Oliveira, que dizia: “O pior inimigo de Plínio Corrêa de Oliveira é Plínio Corrêa de Oliveira!.”, já monsenhor Tihamér Toth elucida no seu livro ‘O Brilho da Mocidade’²: “Lutar contra si mesmo, sem dúvida é a das mais penosas das lutas, porém, triunfa sobre si mesmo, é a das mais triunfantes das vitórias”.,pedindo a Maria Santíssima, Aquela que faz o demônio correr, tudo é possível!

Alguém pode se perguntar. Para que tudo isto, só para dizer que o Santo Cavaleiro é modelo para juventude? É muito simples meu jovem.

Quando não se ver mais nitidamente as coisas, é preciso primeiro reconhecer que não enxerga bem, depois sentir a necessidade que é preciso enxergar, para depois tomar a devida deliberação, quer dizer, usar óculos para que volte ver com clareza, aquilo que não se vê mais!

Espero que tudo isto sirva de “óculos” (um óculos “auto-adaptável” a cada Um), para que possam refletir sobre a seriedade da vida!

Até mais, meus jovens!

Santo Nuno, que do céu nos vê, intercedei em prol de nossa juventude brasileira!

P.S.:“ A Cavalaria outrora, foi uma das mais altas expressões da austeridade cristã.³”

Notas:

  1. (fig.) homem nobre; ilustre; valente; paladino; cavalheiro (Do Cast. Caballero) — (dicionário brasileiro Globo- 53º edição – 1995).
  2. monsenhor Tihamér Toth, Editora SCJ, Taubaté, SP, 5ª Edição – 1954.
  3. Plínio Correa de Oliveira, Revolução e Contra-Revolução, ARTPRESS, São Paulo, 1982m Parte I, Cap. III, 5ª, pág. 19.

domingo, 9 de maio de 2010

Discurso do grande dr. Plínio Corrêa de Oliveira

"Anais da Semana Eucarística de Campos – 17 a 24 de abril de 1955", pp. 101 a 113

A EUCARISTIA E O APOSTOLADO NO MUNDO MODERNO

Conferência pronunciada pelo Dr. Plinio Corrêa de Oliveira na Sessão Solene da Semana Eucarística de Campos, 23/4/1955

Eminentíssimo Sr. Cardeal, D. Jaime de Barros Câmara

Exmo. Revmmo. Sr. Bispo Diocesano, D. Antônio de Castro Mayer

Exmos. Revmos. Srs. Bispos presentes

Exmas. Autoridades

Revdas. Religiosas

Senhores

Importância de Campos na História do Brasil

É fato de observação comum nas famílias numerosas que dando Deus a alguns o predicado do talento, a outros o predicado da riqueza, a outros o predicado da formosura, a outros ainda o predicado do prestígio, a alguns desses entretanto dá um dom, dá uma qualidade, um predicado que não tem um nome preciso no vocabulário humano. Predicado este em virtude do qual as suas palavras, os seus gestos, as suas atitudes, têm uma ressonância toda especial dentro da vida da família e embora não sejam eles os primogênitos, e embora talvez outros ombreiem com eles em predicados de outra natureza, têm eles este dom especial de mover todos os corações, de impressionar todas as inteligências, de arrastar pelo seu exemplo, de tal maneira que eles constituem na vida da família um elemento marcante e um elemento decisivo.

Se este nosso imenso Brasil pode ser comparado a uma grande irmandade de cidades, cada vez mais numerosas, cada vez mais ricas, cada vez mais brilhantes, a esta cidade, se é certo que Deus a esta terra privilegiada conferiu tantas e tantas vantagens, conferiu-lhe, entretanto, também este dom particular de tocar, de mover, de impressionar, que fez com que a cidade de Campos em toda a história do Brasil fosse uma cidade como que tribuna aberta para o Brasil, de onde tudo que se diz tem ressonância, tudo que se diz marca, tem um determinado peso. Campos é um dos pontos importantes do Brasil, e é por isso, com emoção, que eu me encontro nesta cidade, atendendo ao honroso convite do Exmo. Sr. Bispo Diocesano para dizer algumas palavras a respeito da Eucaristia e do Mundo Moderno.

O tema da Conferência

A Eucaristia e o Apostolado no Mundo Moderno.

Tema rico em considerações que contém quatro substantivos, ou quatro palavras, cada um deles importante, mas muito desiguais, como precisão e nitidez.

Pois se é verdade que o conceito de Eucaristia é preciso, se é verdade que o conceito de apostolado é preciso, o conceito de Mundo já é um pouco menos preciso, e o mais delicado, o mais melindroso de todos estes conceitos vem a ser o conceito de "moderno".

O que nós entendemos por mundo e o que nós devemos entender por mundo moderno.

Que é o Mundo?

Mundo, o mundo, no Evangelho fala-se do mundo. Nosso Senhor recusou-se a rezar pelo mundo, mas o apóstolos receberam a incumbência de evangelizar todos os povos e isto quer dizer evangelizar o Mundo. O que quer dizer propriamente a palavra "Mundo"?

O Mundo na linguagem corrente, é o globo em que vivemos, é a Humanidade toda, é uma determinada sociedade de vida temporal que neste sentido se distingue da Igreja; em outro sentido é uma espécie de reino das trevas, do demônio; não é a sociedade temporal, mas é propriamente o mal, o mal de que Satanás é o príncipe, e neste sentido, Satanás, é o príncipe deste mundo.

Valor das Palavras

Mundo moderno; o que quer dizer esta palavra "moderno"? Quantos sentidos na linguagem corrente para esta palavra! E entretanto, os historiadores e sociólogos dão cada vez mais importância, em nossos dias, ao estudo das palavras, e das palavras da linguagem corrente, como expressão de estados de espírito, de pensamentos, de idéias! E se é verdade que na sociologia e na história, cada vez mais se dá importância à história das idéias e à história das palavras, é muito certo que, quando algum dia se fizer a história completa, tenebrosa e iluminada por outro lado, deste nosso tormentoso século XX, há de ser necessário consagrar um capítulo especial a essa palavra sedutora, viscosa, com uma porção de sentidos diversos e quase contraditórias que vem a ser a palavra "moderno".

Vários sentidos da Palavra "Moderno"

1° sentido:

Moderno, o que é moderno? Em algum sentido da palavra, "mundo moderno" é o mundo de hoje por contraposição ao mundo de ontem, e então nós podemos dizer que o mundo moderno não se compõe apenas de coisas modernas. Pois que todo o passado da Humanidade ainda integra o Mundo moderno. E nós temos no mundo moderno, ao mesmo tempo que alguns clarões da era supernova e superatômica, que se delineia no extremo do nosso Horizonte, para futuro, nós temos no passado, considerando o mundo moderno, nós temos no passado ainda longínquos clarões dos primórdios de nossa civilização, que ainda brilham, que ainda existem e que ainda vivem. E o instante atual, o instante moderno, este momento em que vos falo é composto de elementos heterogêneos, que vão desde as revivescências, desde as permanências do mais antigo passado, até às perspectivas do mais indeciso e do mais remoto futuro. De remoto futuro, sem dúvida, porque o futuro também compõe de certo modo o mundo moderno. O quadro da vida de um homem, num determinado instante é não só o quadro que ele tem diante de si, mas o quadro das perspectivas, dos projetos, dos prognósticos que ele traz dentro da alma.

E assim, o Mundo moderno se nos apresenta um mundo rico em aspectos contraditórios, em aspectos opostos. Desse passado do qual nós procedemos, e em relação ao qual, daqui a pouco como veremos, se procura estabelecer uma contraposição com a palavra moderno, nesse passado, quanta coisa de glorioso nos resta. Temos, antes de tudo, algo que é mais do que passado, que é mais do que presente, que é mais do que futuro porque é divino, que é a Santa Igreja Católica Apostólica Romana. [Aplausos prolongados].

Modernidade da Igreja

Instituição velha de quase dois mil anos, a mais jovem, a mias virente, a mais promissora das instituições do mundo moderno. E nesta civilização, que por tantos aspectos parece uma civilização que desaba e caminha para o ocaso, nesta civilização em que tanta coisa está morrendo, só há uma coisa que não está morrendo, e que promete uma juventude indefinida, é essa Igreja Católica. Moderna em todos os tempos, neste sentido da palavra moderna. Moderna, quando ela nasceu do flanco divino de Nosso Senhor Jesus Cristo. Moderna ainda quando, nos últimos momentos da Humanidade, quando as potências do Céu se perturbem, quando todos os homens tomados de pânico, estiverem no momento de verem surgir no mais alto dos céus o Filho do Homem, com grande majestade que os julgará decisivamente com terror, ainda neste momento será a mais eterna das instituições, a divina, a Santa Igreja Católica Apostólica Romana. [Aplausos prolongados].

O Antigo no Moderno

Modernos, neste sentido, podemos chamar também tantos ritos que nos vêm do passado. A Inglaterra de hoje não é uma Inglaterra moderna? Essa Inglaterra moderna não celebrou, há pouco com ritos medievais magníficos, as pompas de sua monarquia tradicional, dando um exemplo ao mundo do culto do seu passado? Não é moderna a realeza inglesa que parece entretanto sair toda ela inteira de um livro de iluminuras da Idade Média? E ao lado de tanta glória, de tanta beleza do passado, quantos detritos do passado que ainda no mundo de hoje infelizmente marcam, infelizmente têm força. É uma das características do mundo moderno. Por exemplo, haverá alguma coisa que venha de um passado mais remoto, haverá uma coisa que seja mais próxima da pré-história do que a macumba? E, entretanto, quem ousaria negar que a macumba e as superstições que datam do nosso velho Brasil colonial e que deitam raízes na nossa como que pré-história, uma vez que se alongam nossos olhos através do Oceano até a África para buscar raízes da macumba, pois bem, macumba, o culto das divindades indígenas não é uma coisa de um certo modo moderna, de tal maneira que tive a dor, ainda ontem, voltando para casa em São Paulo – a cidade mais moderna talvez da América do Sul, a cidade que mais cresce no mundo, a cidade do cimento e dos arranha-céus –, ver uma esquina de muito movimento, horas tardias da noite, um bruxedo qualquer, umas lâmpadas, umas velas acesas, e umas pessoas que esperavam daquela manifestação de macumba, um resultado de feitiçaria provavelmente mal intencionado? Não é esta também uma das notas do mundo moderno? Vós vedes, pois, como a palavra moderno toma do tempo aspectos diferentes e como é difícil defini-la.

Outro Significado do "Moderno": oposto ao passado

Mas se nós analisamos um pouco melhor o sentido da palavra moderno, nós veremos que ela é por vezes empregada numa significação diversa, e que se entende por moderno aquilo que é o posto do que havia no passado. É moderno aquilo que nasceu agora. E neste sentido todas as coisas, a todos os momentos estão deixando de ser modernas, e outras coisas modernas estão entrando. Ontem, anteontem, há quinze dias atrás, o tratamento moderno para a paralisia infantil era um; hoje esse processo está arcaico porque se descobriu outro processo ainda melhor, ainda mais eficaz, e todos aqueles recursos médicos entraram para a História da Medicina. E aquilo passou a ser um passado morto, e no momento entrou uma coisa nova.

E neste sentido, nossa época tão amorosa das novidades, jacta-se de ser moderna, ela se jacta de viver num grande número de coisas que existiam no passado e que lhe conferem uma marca de superioridade em relação ao passado.

Progresso e Calamidades

Neste sentido nós podemos dizer que a palavra moderno é impregnada de um certo conceito de progresso e entendemos, neste caso, por progresso uma melhoria no sentido de atingir um determinado estado de ideal da Humanidade. O moderno é uma marcha para a frente, o moderno é uma melhora, o moderno é um progresso.

Mas, ao mesmo tempo, nosso vocabulário é obrigado a um ato de humildade, e enquanto nós reconhecemos que todas as coisas novas da técnica são modernas, nós somos obrigados também a falar dos flagelos modernos, nós somos obrigados a falar dos pânicos modernos, e nós somos obrigados a reconhecer que toda esta técnica, que é a glória da modernidade, que toda esta técnica traz para nós sustos terríveis, com a perspectiva da aniquilação do mundo contemporâneo pela bomba de hidrogênio.

Conta-se de Eistein, recentemente falecido, este gracejo. Alguém lhe perguntou se saberia como seria a terceira guerra mundial, e ele deu esta resposta: "A terceira, não sei. Mas sei como será a quarta. Será com arco e flecha". A humanidade terá retrogrado tanto na terceira, que a 4ª guerra seria com arco e flecha. Estas as perspectivas desta duvidosa modernidade na idade da técnica.

Mas se tudo traz, de um lado muitas preocupações – e o Santo Padre Pio XII ainda num recente discurso acentuava quanto a técnica, em si mesma boa e louvável, tem concorrido, infelizmente, para embrutecer a Humanidade, para materializar, para deformar a vida social porque o homem não tem sabido dirigi-la e governá-la, pelo que tem se tornado escravo dela. Se é verdade que a técnica tanto tem embrutecido a Humanidade, a tem feito progredir em algum sentido material da palavra.

Um 3º Sentido da Palavra "Moderno"

Tem, todavia, a palavra moderno um sentido ainda mais sutil, um sentido ainda mais recôndito, e é este sentido que, por fim, me cabe analisar.

Nós não poderíamos dizer que um país que tinha o regime da separação da Igreja e do Estado e que volta ao regime de união se tenha modernizado; mas não podemos dizer, ou muita gente dirá, que um país que vive na união e passa para a separação se moderniza. Ninguém diria que passar do divórcio para a indissolubilidade do vínculo conjugal é modernizar; mas muita gente acha que passar da indissolubilidade do vínculo conjugal para o divórcio é modernizar. Nós não diríamos que preservar as elites, preocupar-se em manter a hierarquia social, preocupar-se em conservar os hábitos, os costumes, as instituições que fixam a indispensável hierarquia que deve haver em toda sociedade organizada, que isto seja uma preocupação tipicamente moderna. Nós diríamos, pelo contrário, que isto é próprio do passado, e que o espírito moderno se inclina muito mais a uma como que destruição das barreiras sociais, e das barreiras políticas, com rumo a uma igualdade completa e encontra sua realização plena no comunismo que vem a ser até a igualdade econômica.

Laicismo, Igualitarismo, Sensualismo

E nós temos então aí uma certa idéia de modernidade que é diferente das anteriores, mas que como que habita nas anteriores, e é uma modernidade em virtude da qual, se entende que tudo quanto é laicismo, que tudo quanto é igualitarismo, que tudo quanto é conceder aos instintos do homem a liberdade de se divertir e de se satisfazerem como entenderem que isso é verdadeiramente moderno.

E tanto é que esse conceito existe, que é ativo, que vós o podeis observar na vida contemporânea. Ela se transforma constantemente; a todo o momento, é um costume que se muda, é uma instituição que toma novo aspecto, é outra instituição que morre para dar lugar a alguma coisa de novo; observai todas essas mudanças, e na sua totalidade – talvez para ser generoso e prudente – na sua quase totalidade, vós vereis que as transformações que se deram ou representam um progresso da idéia de igualdade, ou representam um progresso do princípio de laicismo, ou representam um progresso da sensualidade.

Observai na vida doméstica, a todos os momentos as barreiras, que separam e devem separar os pais dos filhos se atenuam, a todos os momentos a autoridade do marido decai, a todos os momentos a liberdade dos filhos cresce, e cresce para quê? cresce para que os filhos cumpram melhor o seu dever? cresce para que sejam mais castos? cresce para que eles sejam mais esforçados? ou cresce pelo contrário para que eles tenham mais a liberdade de fazer o que entenderem, de se atirarem às diversões imodestas, desonestas, de satisfazerem a sua sede de prazer, de romperem os grilhões de uma obediência indispensável como a que deve vincular na família os filhos dos pais? Observem as relações entre as classes sociais. A todo momento mudam-se os trajes, esses trajes a todo momento tendem para nivelar e equiparar as classes; a todo momento, mudam-se as maneiras e essas mudanças de maneiras, significam uma diminuição do respeito dos mais moços aos mais velhos, diminuição do respeito do homem à mulher, diminuição do respeito das crianças aos professores, dos alunos aos seus mestres. De todos os lados, o que acontece é um minguar de forças da autoridade, das forças da hierarquia, das forças da ordem, roídas por um movimento incessante, gradual mas profundo, roídas por essa tendência imensa para o nivelamento, que acaba tendo no laicismo a sua expressão mais completa. Porque o homem, depois de não ter querido na terra superior de nenhuma espécie, também não quer saber de ter um superior no céu, ele também não quer saber de Deus e ele organiza a sua vida precisamente como se organizaria se não acreditasse em Deus. [Aplausos prolongados].

Terríveis Conseqüências dessa Modernidade

Fenômenos terrível que mina a própria população católica e que no espírito do brasileiro, tão acomodatício infelizmente, conduz a essa situação monstruosa: nós somos uma população de uma esmagadora maioria católica, as estatísticas indicam uma quase unanimidade de católicos no Brasil, mas se nós examinarmos a vida pública brasileira, a moralidade existente em nossa vida pública é como se Deus não existisse. Se nós examinarmos a nossa vida doméstica, nós vemos que cada vez mais ela vai sendo como seria se Deus não existisse. E, entretanto, as igrejas continuam cheias, e, entretanto, os atos do culto continuam concorridos, e, entretanto, é um fato indiscutível que todos se dizem católicos na ocasião do recenseamento!

Como se explicar isto senão pela corrosão silenciosa, pela corrosão discreta, muda, terrível, como uma lepra feita por esse estado de espírito de organizar o mundo abstraindo de Deus, de conceber tudo ao signo da revolução e da desordem, de organizar tudo com base na sensualidade o que é a própria desorganização.

E eu vos pergunto, minhas senhoras e meus senhores, se esta nação tão bela e tão digna de um melhor presente, se esta nação se contorce neste momento numa crise dessas das mais graves da história, não porque lhe falte as condições materiais de existência, não é por que lhe falta aquela moralidade? por que lhe falta aquela coerência da Fé com as atitudes práticas? por que nós temos a tendência, que infelizmente cada vez mais nos invade, de adorar a Deus Nosso Senhor com as palavras dizendo: "Senhor! Senhor!" mas de continuar a viver como nós entendemos?

A "Modernidade" alma do Mundo Moderno

Assim definidos os vários sentidos da palavra moderna, nós podemos perguntar qual vem a ser o papel desta modernidade dentro do mundo moderno.

E nós poderíamos dizer que se no mundo a mentalidade que se diz moderna não conquistou tudo, ela é a grande força propulsora de quase todos os acontecimentos, ela é a grande nota característica do momento, ela é também o grande perigo e que, se haveria exagero em dizer que no mundo contemporâneo só existe essa miserável modernidade, haveria cegueira e loucura em negar que esta miserável modernidade é a característica, é o traço forte, é o traço decisivo da época em que nós vivemos.

A Salvação para o Mundo Moderno

Mas também é verdade que neste mundo que está cada vez mais dominado por esse espírito há alguém com "A" maiúsculo, Alguém eterno, sempre presente, e esse Alguém é Nosso Senhor Jesus Cristo. Presente em todos os sacrários da terra, nos sacrários de ouro do Brasil e dos templos da Cristandade; nos sacrários indigentes, nos sacrários ocultos dos países que estão atrás da cortina de ferro ou da cortina de bambu. Mas este Alguém cuja presença não se sente com os sentidos da carne, esse Alguém que é Nosso Senhor Jesus Cristo, presente na Sagrada Eucaristia, é o grande Apóstolo do Mundo contemporâneo como de todos os tempos. E Ele fala constantemente às almas, ensinando-lhes pela linguagem muda, mas linguagem infinitamente eficaz que é a linguagem de Deus Nosso Senhor, fala-lhes constantemente a respeito da necessidade do homem se opor a essas coisas que constituem a sua miséria, a sua degradação, da necessidade de ele voltar o seu caminho em outro sentido, de ele construir a sua vida sobre Deus de ele construir a sua vida sobre o sacrifício, a renúncia, de ele aceitar a autoridade de ele se voltar a se converter a Deus Nosso Senhor de todo coração. [Aplausos prolongados].

Frutos da SS. Eucaristia

E, minhas senhoras e meus senhores, neste mundo moderno terrível, acontece o que sempre acontece, quando se desafia a Deus. Deus multiplica as suas maravilhas, e ao mesmo tempo em que a iniqüidade vai chegando ao seu auge nós notamos frutos admiráveis da Sagrada Eucaristia, frutos da graça, frutos que dão no apostolado um resultado incomparável. Enquanto multidões caminham para o prazer e para o vício, enquanto multidões silenciam diante do mal e se acovardam, vão se tornando, por toda parte, mais numerosas as almas que, elevadas por um anelo de perfeição absoluta, de ortodoxia completa, de obediência inteira à Igreja Católica, abandonam tudo, renunciam a tudo, estão dispostas a enfrentar tudo, a contestar tudo, a afirmar apenas a doutrina da Igreja, a sofrer e a vencer tudo por amor a Nosso Senhor Jesus Cristo presente na Sagrada Eucaristia. [Aplausos prolongados].

Exemplos: Santa Maria Goretti

Eu me lembro, neste momento, daquela figura angélica de Santa Maria Goretti, nesta época em que as praias são tomadas pelo neopaganismo que estadeia toda corrupção da civilização moderna, esta época, esta virgenzinha entrega a sua vida com toda a resolução para não perder aquilo que ela ama mais do que tudo, do que a luz dos olhos seus, do que a própria existência, aquela virgindade que se aprende a amar como o dom mais preciso da vida, quando se tem uma alma verdadeiramente eucarística. Santa Maria Goretti é um fato culminante, será um fato único?

O Congregado de Viena

Nos países ocidentais como nos países orientais, quanto heroísmo no momento presente se está realizando. Eu me lembro de um congregado mariano de Viena, de que ouvi contar que, na iminência de sofrer o corte de sua língua, numa operação dolorosa, no momento em que ele era conduzido para a sala da operação, faz ao médico um sinal de que ele queria dizer uma última palavra com esse pobre órgão que ia ser amputado. O médico consente. Há um momento de emoção na sala. Todo mundo pensa que ele fará um pedido, todo mundo pensa que ele dirá talvez uma palavra de carinho a um dos circunstantes. É possível que alguém tenha receado que esse pobre rapaz tivesse uma lamentação. Nesse momento de silêncio e de recolhimento, ele diz com esforço uma palavra admirável: "Viva Nossa Senhora!" E caminhou depois para o silêncio que encheu todos os seus dias ecoando essa piedade sublime que no último momento do uso da palavra a empregou para glorificar Maria Santíssima.

Maria Santíssima esquecida por tantos, negada por tantos, subestimada por tantos outros, Maria Santíssima recebe num só gesto deste uma glória incomparável.

Os Mártires do Sacrário

Eu me lembro, por fim, neste momento, de um outro caso impressionante, ocorrido este atrás da cortina de ferro, e que o "Osservatore Romano" noticiou já há algum tempo. Os comunistas tinham entrado numa aldeia. Nesta aldeia havia uma igreja católica e os meninos da aldeia ouvem dizer que a horas tantas os comunistas vão entrar na igreja, vão arrombar o sacrário e profanar as sagradas espécies. É noite, fora neva, o luar brilha de um modo admirável sobre a neve. A Igreja está na solidão. Tantos fiéis dormem em casa aterrorizados. A agonia se aproxima; a igreja vai ser assaltada. Estará Nosso Senhor só neste horto das Oliveiras? Não, durante a noite inteira, três meninos, que pulam pela janela aberta, estão dentro da igreja. Quando os comunistas entram, um deles com suas mãos de criança tenta detê-los inutilmente a caminho do altar, e morre massacrado. Outro defende a mesa da comunhão, e morre também. E o outro sobe ao altar, cobre o sacrário com o próprio peito. Os bárbaros matam este sacrário vivo antes de arrombar o sacrário de ouro tão menos preciso do que aquele. Tomam as sagradas espécies e as profanam. Exulta o inferno, mas, muito mais, exulta o céu com o sangue desses três pequenos mártires, derramado na igreja, certamente não menos gloriosos do que o dos mártires que derramaram seu sangue na arena do Coliseu. [Palmas prolongadas].

A Luta no Mundo Moderno

Aí está, como vedes, a ação da Eucaristia no mundo moderno. No momento em que a iniqüidade está chegando ao seu cúmulo, nesse momento a graça e a misericórdia chegam ao seu cúmulo também. À fortaleza do vício e do mal, Deus opõe uma indômita fortaleza do bem. O triunfo da Igreja Católica se dará no mundo moderno. Esse triunfo se dará certamente pelo embate gigantesco entre as forças pequenas do bem e as forças enormes do mal, mas nós veremos talvez, e, ao meu ver, provavelmente nos próprios dias em que existimos, nós veremos este fato que a Igreja há de marcar uma das maiores vitórias de todos os tempos e essa vitória será a vitória da Sagrada Eucaristia, fonte de graça aberta para o mundo por intermédio da intercessão de Nossa Senhora que rezando sempre a Jesus Eucarístico consegue para nós as graças de que nós precisamos. [Aplausos].

Nossa Senhora Medianeira

Esse papel da Sagrada Eucaristia no mundo Moderno me faz pensar em Nossa Senhora, e como não se pode falar nem em triunfos nem em graças, sem falar nEla que é a Medianeira necessária, eu posso afirmar que um dos dons mais preciosos que a Sagrada Eucaristia dá ao mundo é a devoção a Nossa Senhora. E que essa devoção a Nossa Senhora tão característica e tão radicada em nossa terra de Santa Cruz há de salvar o Brasil.

Nesta obra de salvação do Brasil, a cidade de Campos tem um papel proeminente como sempre o teve em outras ocasiões de nossa história. Ela tem esse dom da repercussão, que é um dom especial que ninguém lhe pode negar e que é a sua glória.

O Paraíba e Nossa Senhora

Ela foi colocada numa situação geográfica que é um quadro formoso de tudo quanto dela pode esperar a Providência.

Vós sabeis que nos santuários em que há muita afluência de peregrinos, é costume colocar nas mãos da imagem posta no altar uma fita que desce até aos romeiros, que passam. Osculando a fita, eles de um certo modo, osculam a própria imagem. Ora, o rio Paraíba que passa por aqui é exatamente como que uma fita formosa de água que Nossa Senhora deita até o Oceano e que banha antes de se perder no Oceano, a cidade de Campos. [Aplausos].

Campos, jóia do Paraíba, um grande Bispo, jóia de Campos

Campos é a extremidade desta fita e a Providência na extremidade desta fita colou a cidade como uma jóia preciosa; ela amorosamente destinou à cidade de Campos como que a selar com sua existência preciosa essas águas que correm do trono de Nossa Senhora até a imensidade do Oceano.

Nesta jóia preciosa a Providência, há pouco, encaixou uma pedra de um preço literalmente incomparável. É o grande bispo de Campos, D. Antônio de Castro Mayer, (aplausos prolongados) que tem tudo para estar colocado no alto deste sólio, que é um candelabro em todo o Brasil: inteligência, cultura, zelo, e sobretudo aquelas três devoções que são o característico de sua grande alma de Bispo e que dão tão admirável perfume de virtude à sua personalidade: devoção à Sagrada Eucaristia, devoção a Nossa Senhora e devoção ao Santo Padre. As três devoções com que se resume toda a personalidade, forte como a de D. Vital e suave como a de Pio X, do ínclito Bispo desta Diocese.

Uma Grande Pastoral

Campos caminha, portanto, para um grande destino. No apostolado eucarístico e moderno tem imensas possibilidades e um dos fatos que marcam essas possibilidades é exatamente essa Pastoral admirável sobre os erros modernos publicada nesta cidade pelo bispo de Campos, mas como já foi lembrado nesta sala, passou além e já repercutiu nos lugares mais importantes do velho e do Novo Mundo; traduzida para o francês, traduzida para o espanhol, traduzida para o inglês para leitura dos norte-americanos, ela foi comentada em todo orbe moderno.

D. Antônio de Castro Mayer, vindo a Campos, paulista embora de nascimento, como que se revestiu desse dom de repercussão da cidade de Campos e a cidade de Campos na sua veneranda e ilustre pessoa já está ocupando nestes trabalhos de luta contra o Modernismo na sua expressão má, contra o Modernismo na sua expressão censurável e imensamente perigosa, está ocupando lugar de vanguarda, que a cidade de Campos sempre teve em todos os movimentos no Brasil.

Assim, pois, minhas senhoras e meus senhores, encerro aqui estas palavras, apresentando-vos como brasileiro, as expressões de toda simpatia, e de toda a esperança com que o Brasil vos vê, armados de vossas tradições, dotados da missão neste mundo moderno, sob a direção de Bispo tão ínclito, para caminhar para a realização da grande luta por Jesus Eucarístico e por Nossa Senhora, para salvação e para grandeza do Brasil. [Aplausos, aplausos, aplausos].

Observações:

1. Os subtítulos não são do original

2. Esta conferência não foi revista pelo autor.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Cardeal Ratzinger :acerca do Concílio Vaticano II


“A verdade é que o próprio Concílio não definiu nenhum dogma e conscientemente quis expressar-se em um nível muito mais modesto, meramente como Concílio pastoral; entretanto, muitos o interpretam como se ele fosse o super dogma que tira a importância de todos os demais Concílios". (Cardeal Joseph Ratzinger, Alocução aos Bispos do Chile, em 13 de Julho de 1988, in Comunhão Libertação, Cl, año IV, Nº 24, 1988, p. 56).

De fato observamos todos os dias e em todos os lugares um grupo separado de fiéis que faz o Concílio Vaticano II o dogma sobre todos os dogmas, o Concílio sobre todos os Concílios, o Magistério acima do próprio Magistério da Igreja Católica. Os promotores dessa corrente sem qualquer fundamento filosófico ou teológico promovem uma grandiosa ruptura com a Tradição Católica que é a própria Doutrina Apostólica.

Quem aqui ou acolá propaga o Vaticano II como uma "nova Igreja" ferem a Igreja por dentro, fraturando não sua estrutura externa, mas seus próprios alicerces que só não virão abaixo em razão das promessas de Cristo: Jamais prevalecerão! Os tempos que nos cercam, que estão cheios de veneno iluminista, nos impõem uma meritosa escolha: a Tradição ou a Ruptura, o senso comum da revolução modernista ou a imediata resposta tradicional como forma de contra-resposta ao erro que deseja obter os mesmos direitos de Cristo. Por isso, o verdadeiro católico é aquele que jamais irá retirar uma só vírgula do que é ensinado pelo catolicismo desde que ele foi apresentado ao mundo no verdadeiro e único Pentecostes.
Fonte:o ultrapapista Atanasiano

terça-feira, 4 de maio de 2010

Debate com protestantes, Frente universitária Lepanto.

"Santos estão mortos e o que importa é o coração..."
Palavras de um protestante.

"...a bíblia fala que os santos foram pessoas como nós, no entanto quando eles estavam vivos podiam interceder por nós diante de Deus, mas agora, que morreram o seu único mérito foi ter salvo a sua alma. (...) não importa a religião , importa sim o seu coração, porque Jesus vem buscar a sua igreja, mas isto não quer dizer que sejam católicos ou protestantes e sim quer
dizer que ele vem buscar aqueles que tiverem aceito como senhor e salvador seu uníco filho JESUS CRISTO. (...) Bom esta é não é a minha opinião e sim é a verdade ,porque a bíblia é a verdade ." Jesus é o caminho a verdade e a vida niguém vem ao pai senão por mim."

Resposta:

Prezada J., Salve Maria!

Agradeço o seu e-mail, entretanto, não concordo com seu ponto de vista.

Você diz que não é a sua opinião, mas a verdade. Ora, o problema é a interpretação do que está escrito e não o que está escrito. Nosso Senhor não escreveu nenhum livro, mas deixou uma Igreja para transmitir os evangelhos. E mais, disse que era a "sua" igreja e que as portas do inferno não prevaleceriam contra ela.

Os santos podem interceder tanto em vida como após a morte, pois estão vivos em Deus, como você mesmo reconheceu.

E, além disso, como você pode dizer que o que importa é o "coração"? Cada coração, dependendo de sua fé, vai produzir obras diversas. De fato, se o coração dos homens fosse reto, Nosso Senhor não precisaria ter deixado uma doutrina, pois bastava seguir a luz da inocência. Não seriam, tão pouco, necessários os Dez Mandamentos, pois os homens não se esqueceriam deles.

Entretanto, o ser humano não segue a inocência "primeva" de sua alma, mas deixa-se levar por doutrinas errôneas e acaba por renegar a verdade.

Nosso Senhor é o nosso caminho, a nossa verdade e a nossa vida, nós vivemos plenamente através dos seus méritos e da graça de Deus. Entretanto, existem diversos intercessores entre nós e Nosso Senhor, sendo que Ele é o único junto à Deus Pai, como mediador entre Deus e os homens.

Você, J., acabou reconhecendo que existe a intercessão em vida, mas parece não reconhecê-la após a morte. Ora, pergunto eu, onde está escrito que só existe a intercessão em vida? Como explicar que, em toda a Bíblia, existe a intercessão de Abraão, Isaac e Jacob quando estes já haviam morrido? E sobre Santo Elias e Santo Eliseu? Todos eles foram intercessores, vivos ou mortos, pois estavam na "graça" de Deus.

O problema dos protestantes é que eles negaram a Igreja de Nosso Senhor e resolveram interpretar por conta própria o texto sagrado, gerando divisões e confusão, pois em cada igreja eles interpretam de forma diferente.

Agradeço, todavia, o seu desejo de compartilhar seus pensamentos e participar deste debate.

Seu em Cristo e Maria,

Frederico Viotti
Frente Universitária Lepanto
http://www.lepanto.com.br






Modas Indecentes nas igrejas, e pergunta sobre a crise na igreja

Revista Catolicismo

Pergunta
- Antigamente as pessoas, quando iam à Igreja, se vestiam com roupas decentes, muitas vezes pobremente vestidas, mas de forma a agradar a Deus. Hoje tudo mudou. A gente vê de tudo nas igrejas: minissaia, short, camiseta, miniblus
a, roupas transparentes etc. Inclusive pessoas vestidas com essas roupas indo comungar. Houve alguma norma da Igreja permitindo essa mudança? Como explicar essa alteração dos costumes?

Resposta dada pelo então cônego,
José Luiz Villac


Resposta - O autor da pergunta faz bem em colocar a questão no campo da alteração dos costumes, porque o aspecto da imoralidade dos trajes é de si tão evidente que dispensaria qualquer comentário. Em todo caso, como hoje até os pontos mais óbvios deixaram de sê-lo, convém dizer aqui uma palavra de esclarecimento sobre o assunto.

Quando vamos a uma igreja, e portanto vamos nos apresentar de modo muito especial diante de Deus, para prestar-Lhe nossas homenagens (nosso culto), ou para pedir-Lhe graças, é claro que não podemos estar vestidos de modo oposto aos princípios de moralidade por Ele estabelecidos já no Paraíso Terrestre, quando velou a nudez de nossos primeiros pais, vestindo-os com túnicas de peles (Gn 3, 21). E também nos Mandamentos da Lei de Deus (o 6º, “não pecar contra a castidade”, e o 9º, “não desejar a mulher do próximo”). E ainda às normas concretas introduzidas pela Igreja, consignadas em todos os Tratados de Teologia Moral que, ao abordar a virtude da Castidade e o 6º Mandamento, determinam em que medida certas partes do corpo devem ser veladas pelo traje e não expostas em razão do estímulo que exercem sobre a sensualidade.

Mas o problema hoje deve ser visto dentro de um panorama mais vasto: não são apenas os indivíduos isolados que desrespeitam as normas da Igreja, mas é toda uma sociedade que perdeu a noção do sacral (sagrado) e está imersa numa atmosfera de secularismo, da qual Deus está parcial ou totalmente ausente ou, mais precisamente, da qual foi expulso!

Expliquemos melhor o sentido de secularismo. Esta palavra deriva obviamente de século, e é tomada aqui no sentido de o presente século (o mundo atual), por oposição ao século futuro, que é a vida eterna no Céu. É contra os princípios, as normas e os costumes deste século que São Paulo nos advertia ao dizer: “Não vos conformeis a este século” (Rom 12, 2). Isto é, não modeleis vossa vida, vosso modo de proceder, de vestir etc., segundo os princípios deste século (deste mundo), que são opostos aos princípios de Deus. É a contraposição que, com outras palavras, Santo Agostinho estabelece entre cidade terrena e cidade celeste.

Isto sempre foi assim, e assim será até o fim do mundo. Mas a expansão dos princípios do Evangelho pode fazer recuar os limites da cidade terrena e dilatar as fronteiras da cidade celeste. Ou seja, fazer com que, na prática de todosos dias -- dos povos como dos indivíduos – os princípios católicos sejam mais amados e seguidos.


“Tempo houve em que a filosofia do Evangelho governava os Estados”, observou o Papa Leão XIII na encíclica Immortale Dei, referindo-se à Idade Média. A Igreja gozava então de enorme prestígio, e suas normas valiam para toda a sociedade. De lá para cá, infelizmente, os princípios do Evangelho foram perdendo força na sociedade, esta foi se secularizando, a Igreja foi sendo paulatinamente marginalizada e com ela a moral. E chegamos aos dias de hoje, em que os princípios do Evangelho só são seguidos, na teoria e/ou na prática, por um número ínfimo de pessoas. Mesmo entre aquelas que freqüentam as igrejas...

À pergunta, pois, se “houve alguma norma da Igreja permitindo essa mudança” deve-se responder que, independente de algum Bispo ou sacerdote que abriu as portas da sua igreja para gente vestida como o consulente descreve, o que houve foi uma invasão tempestuosa dos ventos do secularismo dentro do recinto das igrejas! Sem pedir licença, com a licença ou contra a licença dos responsáveis por nossas igrejas! A cidade terrena - secularizada - dilatou suas fronteiras e invadiu até os limites da cidade celeste. A imoralidade entrou galopante.

De modo que, para consertar tal situação, não bastará revigorar as normas sabiamente emitidas pelas autoridades eclesiásticas de outrora. É preciso banir, teórica e praticamente, os princípios e as normas de conduta impostas pelo secularismo. O que equivale a dizer que é preciso impregnar novamente toda a sociedade com os princípios do Evangelho e recolocar Jesus Cristo e sua Igreja no centro de todas as coisas.

O que não se conseguirá sem um árduo combate dos que permanecerem fiéis aos ensinamentos da Santa Igreja. Mas sobretudo não se conseguirá sem uma intervenção especial da Providência nos acontecimentos humanos, chamando os homens à razão - eventualmente com o desencadeamento de castigos sobre a humanidade prevaricadora - e abrindo os seus corações à ação da graça divina, por meio de uma atuação potentíssima de Nossa Senhora, Medianeira de todas as graças. Sobre como isso possa ocorrer, a Mensagem de Fátima traz esclarecimentos muito confortadores.

Pergunta - O Sr. poderia explicar o que vem a ser a atual crise na Igreja? A Igreja já não passou por situações semelhantes em outras ocasiões, por exemplo quando houve o Cisma do Oriente? Com o Renascimento etc.

RespostaÀs vezes por ingenuidade ou por otimismo somos levados a imaginar a Santa Igreja de modo diferente de como seu Fundador, Nosso Senhor Jesus Cristo, A instituiu. Ele A estabeleceu como torre inamovível sobre a rocha de Pedro, mas sujeita a toda espécie de ventos e tempestades.

Posta a questão nestes termos, a descrição ainda está incompleta, pois a metáfora dos ventos e tempestades faz pensar em agentes externos que investem sobre a Igreja, produzindo estragos em suas muralhas exteriores, mas sem conseguir movê-la de seus fundamentos. Isto é verdade, mas é verdade também que Jesus Cristo permitiu, por desígnios insondáveis, que dentro da torre os ventos provocassem igualmente devastações...

Passando das metáforas aos fatos, basta pensar, logo na Igreja primitiva, na corrente dos judaizantes, que pretendia impor a todos os pagãos convertidos os usos e costumes da antiga lei mosaica. A fricção se manifestou em lances árduos, como foi a resistência de São Paulo contra São Pedro, quando este último, pressionado pelos judaizantes, teve a debilidade de contemporizar com as práticas judaicas, contrariamente ao que fora resolvido no Concílio de Jerusalém.

O problema, portanto, das crises internas na Igreja é de todos os tempos, e afeta até personalidades das mais eminentes, produzindo às vezes entrechoques inclusive entre santos, como no caso de São Pedro e São Paulo, que acaba de ser citado. Nada disto nos deve escandalizar, mas para tal é preciso termos a seriedade de espírito de considerar que vivemos num vale de lágrimas, num campo de provas, onde toda espécie de obstáculos inesperados se erguem à nossa frente, exigindo que os enfrentemos para demonstrar nossa fidelidade a Jesus Cristo e à sua Igreja.

Toda a História da Igreja está cheia desses lances e a sua narração enche volumes e volumes. Passando por cima das crises mencionadas pelo consulente – o Cisma do Oriente, o Renascimento –, abordemos diretamente a atual crise da Igreja, objeto primeiro da pergunta em foco.

Como foi explicado na resposta à pergunta anterior, a atual crise da Igreja está diretamente relacionada com o processo de secularização que, a partir da decadência da Idade Média, afeta toda a sociedade ocidental, minando os fundamentos da civilização cristã e marginalizando a Igreja do centro dos acontecimentos humanos. Ela que é a Mestra da humanidade, e em certo sentido também sua Mãe, pois é através dEla – e só dEla – que Nosso Senhor Jesus Cristo estabelece Seu Reino na Terra. “Reino de Verdade e de Vida, reino de santidade e de graça, reino de justiça, de amor e de paz” (Prefácio da Missa de Cristo Rei).

Face a esse processo de secularização, duas espécies de mentalidade se confrontam internamente na Igreja: a primeira é a dos que querem fazer uma composição com o mundo, e preconizam que a Igreja deve se conformar com a realidade de uma sociedade pluralista, aceitando de conviver lado a lado, sem privilégios especiais, com outras instituições religiosas ou laicas de quaisquer concepções doutrinárias. Nesta corrente, não poucos vão além, e chegam até a propugnar que a Igreja abandone suas concepções, que eles consideram “ultrapassadas”, e adote sem rodeios as posições dominantes no mundo secularizado, como o divórcio, o uso de anticoncepcionais, as experiências com embriões humanos, o aborto, a eutanásia, a prática do homossexualismo etc. Tratar-se-ia portanto de uma capitulação incondicional da Igreja diante dos erros do mundo moderno.

É bem de ver que a outra família de almas preconiza o oposto, isto é, uma resistência da Igreja a esses erros, e uma fidelidade à outrance aos princípios recebidos de seu Divino Fundador. O entrechoque entre as duas famílias de almas é pois total, inevitável, inconciliável.

Pela radicalidade das posições assumidas, pela amplidão dos campos que abarca, pelas conseqüências profundas das teses propugnadas - que não fizemos senão descrever simplificadamente - não é exagerado afirmar que a atual crise na Igreja é a mais grave, dentre as tão graves, que Ela sofreu ao longo de sua história bimilenar.

Mas sobre a Igreja paira a promessa de Seu Divino Fundador: “As portas do Inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16,18).



domingo, 2 de maio de 2010

A ditadura da moda .

Orelha, sobrancelha, queixo, nariz, bochechas, língua — tudo serve.

Dir-se-ia que a moda de incrustar objetos no corpo é a moda da dor e da infelicidade. O bom senso e o senso católico ficam chocados com extravagância tão repulsiva. Mais assustador ainda é o fundo moral e psicológico que essa moda revela.

Um historiador da arte, Denis Bruna*, pesquisou antecedentes da degradante moda no mundo cristão. No pagão, não precisava, pois índios americanos e selvagens africanos ainda costumam deformar o corpo com artifícios até mais sádicos e supersticiosos.

Em pinturas do fim da Idade Média, Bruna descobriu indivíduos com a face traspassada com anéis, cadeias, penduricalhos ou broches. Numa Via Crucis de Hieronymus Bosch, os carrascos de Nosso Senhor aparecem com piercing, com o rosto furado por anéis. Uma parteira histérica, um velho lúbrico e infiéis também portam esses piercings como estigmas de infâmia.

Outrora símbolo de castigo, hoje é moda...

Na Idade Média, certos crimes merecedores de uma execração especial, como falso testemunho e graves injúrias à autoridade, podiam ser punidos com um piercing na língua. O pingente masculino, desprezado nos tempos de fé, voltou na renascentista corte dos Valois, decadente e efeminada, mas extinguiu-se junto com essa dinastia.

É espantoso notar que, quase dois mil anos depois da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, a humanidade que recusou a Igreja e a Civilização Cristã disputa, para cravar em suas carnes, os sinais que outrora os pintores punham nos torpes semblantes dos carrascos que atrozmente crucificaram o Cordeiro sem mancha, nosso Divino Redentor.

*Cfr. Denis Bruna, Piercing. Sur les traces d'une infamie médiévale, Textuel, Paris, 2001.

Dados da: Revista Catolicismo

Influência aristocratizante de Nossa Senhora



(foto) Noss. Senhora do Carmo

A cortesia é até hoje reconhecida como uma das características próprias à nobreza. Lendo o Evangelho sobre a Anunciação, nota-se com que delicadeza sobrenatural Deus propõe a Maria ser a Mãe do Messias.


Aristocracia?! Nobreza?! Mas essas não são situações contrárias à humildade? Não refletem arrogância e vaidade, contrárias à caridade com os pobres? Como pode alguém sustentar, como sugere o título, que Maria Santíssima se parece com essas pessoas que freqüentam as escandalosas revistas dos endinheirados? Terá endoidecido o articulista?
Bem poderiam ser essas as primeiras reações de muitíssimas pessoas hoje, o que não é de estranhar, tendo em vista a completa confusão de conceitos em que nos submerge uma mídia manipuladora.

Para entender bem o título, comecemos por dizer que a palavra aristocracia vem do grego aristós, ou seja, os melhores. Aqui já começarão muitos a se tranqüilizar, pois é inegável que a Santa Virgem se encontra nessa categoria. Não só era uma das melhores, mas era a melhor. E isto a muitos títulos evidentes. Por exemplo: a melhor das mães, a mais pura das virgens, a mais piedosa de todos os seres humanos.

Unidade fundamental entre verdade, belo e bem

Ensina-nos a doutrina católica que Ela não só praticou todas as virtudes em grau heróico, o que corresponde à definição de santidade, mas praticou-a num grau inimitável. Seja porque foi concebida sem o pecado original, seja por sua adesão ardorosa a todas as graças, Ela atingiu um patamar do qual é até difícil fazer-se uma idéia.

Ora, acontece que na alma as virtudes se apóiam umas nas outras, da mesma forma como num prédio os materiais de construção se apóiam uns nos outros. Basta que numa parte a construção seja defeituosa, para que todo o edifício esteja comprometido. É por isso que o demônio procura nos tentar em pontos específicos, pois sabe bem que, ruindo uma parte, o resto virá abaixo depois.

Devido a esta forma como está construída a santidade, não podemos ser altamente virtuosos só em certos pontos, e em outros defeituosos ou ao menos deficientes. Uma certa proporção entre uma parte e outra é requerida. Por quê? Porque há uma unidade fundamental entre a verdade, o bem e o belo, pela qual uma alma, aderindo a toda a verdade, por exemplo, não pode gostar do feio. Mesmo que fosse uma alma simples, não instruída, nela todas as tendências boas se revoltariam contra o feio. Não quer isto dizer que todo santo é necessariamente um artista consumado, pois, dado o pecado original, nossa inteligência pode se confundir. Afirmamos, isto sim, que além de certo limite a contradição seria clamorosa, e um santo não pode ser contraditório. Pecaria contra a lógica, pois não pode haver duas verdades que se combatam.

Perfeitíssima em todas as coisas e no mais alto grau

Posta esta base teórica, entendemos facilmente que a Santíssima Virgem não poderia ser perfeita em matéria doutrinária e falha em matérias como o gosto artístico. Mais ainda, como n’Ela a verdade se encontrava num estado de perfeição insondável, necessariamente tudo o que é belo ou bom devia também se apresentar num estado de perfeição insuperável.
Para exemplificar, é impossível imaginar que Nossa Senhora não tivesse o melhor dos gostos na hora de decorar uma sala. Nela a harmonia, a ordem, a gradação das cores, o senso das proporções — numa palavra, tudo aquilo que há de melhor na alma — contribuía para que o efeito fosse o que mais dava glória a Deus.

Mas tais perfeições não se aplicam só à nossa parte espiritual, pois também o corpo tem que aperfeiçoar-se como a alma. Não que devamos ser atletas ou adeptos fervorosos de ginásticas e exercícios físicos, e sim que as atitudes de nosso corpo devem também refletir a perfeição para a qual Deus o criou. É impossível imaginar um santo que ama a Deus e gosta ao mesmo tempo de andar com a roupa suja. Neste sentido, a túnica de São Francisco que se expõe na cidade de Assis é um modelo maravilhoso de pobreza, porém levada com limpeza e dignidade. Do mesmo modo, é inconcebível que as roupas de Nossa Senhora, embora pobres, não fossem do melhor gosto e limpíssimas. É claro que Ela se vestia de acordo com os padrões artísticos (de propósito não me refiro a “moda”) da época em que viveu, pois o plano divino prevê que façamos parte de uma sociedade.

Continuando nesta série de raciocínios, vemos que logicamente Nossa Senhora era também perfeitíssima nos costumes à mesa, no modo de se sentar numa cadeira. Também não podemos imaginá-la sem estar perfeitamente penteada ou sendo descuidada com uma visita. Tudo isto faz parte dos nossos deveres para com o próximo, por meio dos quais procuramos para eles aquilo que lhes seja mais agradável até nos mínimos detalhes: agradável à vista, ao tato, ao paladar. Seria errado pensar que, na sua pobreza, a Virgem não preparasse boas refeições, como lhe correspondia ao ser senhora de sua casa. Pobreza não quer dizer sujeira nem desleixo. É apenas a falta de meios materiais, não a rejeição deles.

Aristocracia, desejo de educar e dar bom exemplo.

Todas essas atitudes educacionais de que falamos — boas maneiras, boa apresentação, boa conversa — caracterizavam a aristocracia numa civilização cristã. Eram os modelos de seus vizinhos e subordinados, eram por definição os melhores, aqueles que melhor sabiam dar glória a Deus com as atitudes de seus corpos. Caminhavam com mais elegância, vestiam-se com mais gosto, utilizavam vocabulário mais escolhido e sem vulgaridades chocantes, decoravam a casa com mais estilo. E se surgisse a necessidade, sacrificavam-se em defesa do bem comum.

A abundância de meios materiais era uma forma de apoio à sua missão, mas não a essência dela. Por isso mesmo, nada há de comum entre o verdadeiro aristocrata e um endinheirado imoral, membro do jet-set, desses que abundam em reprováveis revistas. A verdadeira aristocracia nos ensina a sermos melhores, e não a nos mostrarmos orgulhosos e envaidecidos de ganhos materiais. A realeza autêntica educa a todos os que a admiram, e os move na direção da santidade. A verdadeira aristocracia, e mais ainda a verdadeira realeza, devem ter por isso exemplar devoção a Maria Santíssima.

Com exemplificação e linguagem pessoais, o que expus são conceitos que eram evidentes quando predominava a civilização cristã. E podem ser encontrados em bons livros. Temos em mãos, por exemplo, o livro Courtoisie chrétienne et dignité humaine (Cortesia cristã e dignidade humana), de Roger Dupuis, S.J. e Paul Celier. Transcrevo algumas frases significativas:

“A cortesia é até hoje reconhecida como uma das características próprias à nobreza. Lendo o Evangelho sobre a Anunciação, nota-se com que delicadeza sobrenatural Deus propõe a Maria ser a Mãe do Messias. E a fineza de Maria corresponde perfeitamente à delicadeza divina. Pois a verdadeira humildade não é aquela que se abaixa, mas a que obedece. Naquele mesmo ato sublime, Maria toma conhecimento do favor sobrenatural concedidos a sua prima, Santa Isabel. Seu primeiro movimento consiste em ir visitá-la. Mais tarde, quando seu Divino Filho disse de si mesmo ‘sou manso e humilde de coração’, revelava a influência de sua Mãe. Jesus quis ter em Maria um modelo perfeito de cortesia”.

Falta ainda um ponto nesta escala de virtudes: o desinteresse pessoal, pelo qual fazemos as coisas não porque são melhores para nós mesmos, mas porque dão mais glória a Deus. Se amamos a verdadeira hierarquia, entendemos isto facilmente, e sabemos dar verdadeiro valor ao desejo de aperfeiçoar espiritual e corporalmente nosso próximo. Querer ser aristocrata — ou seja, dos melhores — equivale a querer educar e dar bom exemplo aos outros, desinteressando-se de confortos para si mesmo.

Nossa Senhora desejava ardentemente a máxima glória de Deus, e atende pressurosamente todo pedido que vai nesta direção. Peçamos pois por todos aqueles que têm na sociedade o dever de ser os melhores, os aristocratas, para que não se deixem rebaixar e contribuam com sua influência benéfica para o bem de todos.

Texto retirado da:Revista Catolicismo